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A crise externa e interna- O Sol continua a nascer?

por oficinadepsicologia, em 13.12.12

Autora: Inês Mota

 

Psicóloga Clínica

 

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Inês Mota

Vivemos tempos conturbados, de realidades que se transformam e impõem de forma célere, drástica e dramática.

 

Para além das indefinições dos caminhos acerca do futuro, a verdade é que a realidade provoca impactos e redefinições profundas em diferentes gerações, no momento presente, que fazem disparar reflexões angustiadas acerca do passado.

 

De facto, a então denominada “geração rasca” pelo passar dos anos passou a “geração à rasca”, com as implicações que esta caracterização implica nesta geração, naquela que a gerou e naquela que esta geraria.

 

De forma muito célere, a crise e a necessidade de reajustes externos pressionam reajustes internos, provocando verdadeiras crises pessoais.

 

Face às condicionantes vividas, muitas pessoas sofreram quedas reais traduzidas por aquela sensação súbita de retirada inesperada do tapete e de imediata fragmentação.

 

São sonhos alimentados ao longo dos anos que se esfumam, são também caminhos solidamente construídos que de rompante se tornaram interditos.

 

Esta realidade pressiona movimentos internos muito difíceis de serem realizados num tempo tão curto, e por isso é muito natural que muitas pessoas se sintam imobilizadas, outras confusas e outras mesmo perdidas.

 

Umas estão em estado enevoado de incredulidade, perplexas face a esta opaca e translúcida realidade.

Outras sentem-se violentamente traídas, como se a vida lhes tivesse sido roubada num sopro e por isso vivem num estado de revolta incandescente.

 

Outras sentem-se anémicas, sem energia e força para continuar, antevendo um cenário profundamente trágico.

Outras ainda, tomando-se como responsáveis, foram engolidas pela culpa, encontrando-se num estado densamente escuro de decepção e desvalorização.

 

A forma como todas estas pessoas estão a viver contém um intenso sofrimento e são formas de estar a reagir a uma realidade que é de facto duríssima e que para muitos surgiu como um “tsunami”, e que para outros é o momento do desabar da tempestade que de alguma forma iam prevendo.

 

São e serão certamente caminhos muito difíceis, inegavelmente também nas crises pessoais e compreendendo e respeitando sempre os tempos e momentos de mudança de cada um, fazemos lutos mas encontramos forças que nos permitem sarar feridas e descobrimos movimentos que nos impulsionam a re-escrever histórias a re-descobrir novos personagens interessados em viver de formas diferentes sob um sol que não tem de ser menos dourado e luminoso.

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publicado às 11:06

Autora: Inês Mota

 

Psicóloga Clínica

 

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Inês Mota

Dada a era das novas tecnologias que vivemos, é interessante verificar que cada vez mais serviços, e por isso também relações, são criadas e mantidas através de novas formas de comunicação e inclusive que mesmo muitas relações amorosas são iniciadas e alimentadas on-line.

 

É de facto cada vez mais frequente verificar que os novos meios de comunicação, como o facebook e mesmo sites para se encontrar parceiros, possibilitam verdadeiros namoros on-line, que por vezes permitem a sua continuidade para relações off-line.

 

De facto, as relações on-line preenchem funções importantes, também semelhantes às relações off-line: permitem a redução de ansiedade e expressão de emoções e por isso promovem o bem-estar.

 

No entanto, tem sido interessante verificar como muitas das pessoas que namoram on-line se sentem muito satisfeitas com a sua relação, inclusivamente com a forma como sentem que se revelam ao outro e sobretudo com a forma como se sentem compreendidas.

 

De facto muitas pessoas revelam que se sentem pessoas mais abertas e comunicam de forma mais aberta nestas relações on-line, o que pode ser explicado por dados que indicam que a experiência de anonimato promove a auto-revelação.

 

No entanto, há algo que me parece ser significativo para as pessoas que acompanho que iniciaram relações desta forma. Para além da satisfação da experiência de enamoramento que estão a viver, revelam satisfação pelo possibilidade de auto-conhecimento acerca das resistências específicas ou dos bloqueios próprios que não lhes permitiam a manifestação de afecto ou a possibilidade de o receberem, ou mesmo a descoberta de necessidades próprias que acabam então por ser possibilitadas por este tipo de encontro, independentemente de serem pessoas que já tinham ou não tinham tido relações satisfatórias no passado de forma off-line.

 

No entanto, estas relações têm também características particulares, devido ao meio de comunicação pelas quais são mantidas, sendo uma delas, a facilidade do encontro com alguém com as características desejadas.

 

Para além do debate (ainda que muito relevante), se as pessoas estão a comunicar com a pessoa ou com “o outro idealizado”, a verdade é que, de forma mais acessível, há um encontro com alguém que corresponde de facto ao “outro idealizado”.

 

Se a fase do enamoramento é a fase por excelência da idealização em qua a fantasia ocupa um espaço volumoso, as relações on-line, parecem-me ter necessariamente esta componente intensificada.

 

Por isso a grande questão que surge é se quando as relações on-line passam a off-line, a ligação conseguida mantém-se, ou o estado conseguido não é forte o suficiente para permanecer ON e passa a OFF ?

 

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publicado às 10:54

Famílias adoptivas

por oficinadepsicologia, em 11.09.12

Autora: Inês Mota

Psicóloga Clínica

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Inês Mota

Através das histórias de conhecidos e amigos bem como pelas imagens e histórias transmitidas pelos meios de comunicação social, relativas às vidas e decisões das figuras públicas, deparei-me com uma expressão e visibilidade crescente relativamente às famílias adoptivas.

Por saber que estas famílias conhecem e atravessam desafios difíceis, pareceu-me pertinente partilhar convosco etapas e fases cruciais relativas ao desenvolvimento destas famílias.

 

As famílias adoptivas são constituídas por famílias de pais e filhos que não tendo uma ligação biológica estão ligadas por laços afetivos ou legais.

Segundo Rosenberg, a família adoptiva nasce com a chegada da criança e esta etapa constitui-se como fase primordial na qual irá ser estabelecido o vínculo entre pais e filhos, que será tanto mais difícil quanto mais avançada a idade da criança, visto, nestes casos, já estar estabelecido um modelo interno de vinculação.

 

Palácios, com o intuito de avaliar o nível de risco que pode caracterizar a família adoptiva propõe um modelo em que cruza factores de risco relativos aos pais adoptivos e factores de risco relativos aos filhos adoptivos. Assim, explicita que contribuem para o nível de risco dos pais, expectativas inadequadas, pouca capacidade em lidar com o conflito e a tensão, atitudes pouco comunicativas, pouca expressão de afeto e escassez de apoios sociais e profissionais e para os factores de risco dos filhos, a elevada idade de adoção, a institucionalização prolongada, história prévia de conflitos graves e presença de problemas sérios de comportamento.

 

Todas estas questões poderão emergir durante o processo de adopção e ao longo do ciclo vital destas famílias e é importante que estas famílias consigam recorrer ao apoio da família alargada, social e mesmo apoio técnico.

 

Uma das dificuldades que os pais podem sentir com filhos pequenos diz respeito ao desenvolvimento de uma autoridade e disciplinas eficazes, por exemplo, por medo de não conseguirem o afeto da criança ou por receio de serem muito duros devido ao passado da criança.

 

Uma tarefa importante a realizar na idade escolar, quando a criança já é mais capaz de compreender cognitivamente o significado de adopção, será exatamente a veiculação da notícia, pois o segredo é destrutivo na estrutura familiar. Após a revelação é importante apoiar a criança a compreender esta realidade, pois esta poderá realizar nesta altura confabulações relativas aos motivos de adopção, por exemplo, assumi-la como retaliação pelo seu comportamento, podendo assim emergir problemas escolares, dependência emocional ou comportamentos agressivos ou de desafio, de forma a testar a garantia e disponibilidade do amor dos pais.

 

A adolescência nestas famílias constitui-se como um dos períodos mais difíceis, pois pode nascer no adolescente o desejo de ligar as várias partes da sua história de vida e assim querer conhecer a sua família biológica e raízes geográficas, sem que isso signifique que queira deixar a sua família adoptiva. No entanto, estas são tarefas dolorosas que despertam medos e angústias na díade de pais e filhos.

 

Apesar das tarefas difíceis explicitadas que estas famílias atravessam, segundo Relvas, observa-se que relativamente ao nível de coesão e adaptabilidade não se registam diferenças significativas relativamente às famílias biológicas, visto haver um grande investimento na coesão por parte das famílias adoptivas para fazer nascer a família, por saberem que a coesão não germina espontaneamente, sendo também que a maior parte das famílias adoptivas revela satisfação pela adopção, caracterizando-se como famílias funcionais.

 

Fonte: Alarcão, M. (2000), (des)Equilíbrios Familiares, Quarteto, Lisboa

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publicado às 16:41

Comunicar (n)a separação: falar, ouvir e compreender

por oficinadepsicologia, em 03.09.12

Autora: Inês Mota

Psicóloga Clínica

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Inês Mota

Manter-se uma boa comunicação entre pais, após a separação e sobretudo uma comunicação sobre a separação é uma necessidade presente e constante, mas muito difícil de ser conseguida.

 

No entanto, se os pais, após a separação pretenderem manter-se informados sobre o universo dos filhos, parece sensata a manutenção da comunicação entre ambos, de forma que parece incontornável conseguir-se “olhar de frente” este fenómeno complexo denominado comunicação.

Olharmos de frente o fenómeno comunicação significa também reconhecermos que ele é frequentemente composto por ardilosas minas e armadilhas: os famosos mal entendidos, que se estendem a todas as palavras mal compreendidas e mal interpretadas.

 

De facto, como explicar que com frequência, após a separação, cada um dos pais defenda coisas que vão no sentido do melhor interesse dos filhos e seja frequentemente interpretado pelo outro como algo de duvidoso em relação a ele ou à sua intenção? A resposta parece ser provavelmente a ineficácia da comunicação e a tendência repetida para se gerar mal-entendidos.

 

Segundo Cloutier, Filion e Timmermans existem atitudes que promovem uma comunicação eficaz em contexto de separação como:

 

- Transmitir mensagens claras, contextualizadas e focadas nas situações presentes, ou seja falar de uma coisa de cada vez ao invés de se comunicar mensagens baralhadas ou contaminadas por histórias antigas: muitas vezes e sob pretexto de um problema concreto da criança, os pais rapidamente acabam por falar de uma questão antiga sobre a qual não haviam estabelecido acordo, o que acaba por aumentar a probabilidade de terminarem a discutir, ao mesmo tempo que se afastam do contexto atual dos problemas da criança.

 

- Desenvolver e fortalecer uma capacidade importantíssima, a capacidade de escuta em dois movimentos: utilizar um ouvido para ouvir e compreender o que o outro está a dizer, e utilizar-se o outro ouvido para nos ouvirmos a nós mesmos e percebermos assim o que nos sentimos tentados a dizer de forma imediata, e assim gerirmos adequadamente esta pulsão que nos leva tendencialmente a agir no sentido de cortar a palavra ao outro.

 

- Devolver o compreendido: na comunicação é importante não apenas o que é dito, mas também o que é compreendido. Ao transmitirmos o que foi compreendido permitimos que o outro se dê conta da importância que atribuímos às suas afirmações. Por outro lado enfraquecemos a tendência do outro poder começar a dizer “não importa o quê”, ao não se sentir escutado. Normalmente observa-se que quando um dos pais não se está a sentir ouvido tem tendência a falar mais alto, mas como isto raramente funciona o passo seguinte passa a ser dizer palavras ofensivas.

 

Dominar a arte de falar, ouvir e compreender, após a separação é tarefa preciosa, pois se da comunicação ineficaz nascem os conflitos, da comunicação eficaz nascem as soluções! 

 

Fonte: Cloutier, R., Filion, L., Timmermans, H. (2006) Quando os pais se separam…Para melhor lidar com a crise  ajudar a criança, Climepsi Editores, Lisboa

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publicado às 15:19

Pais para sempre: no divórcio, a co-parentalidade

por oficinadepsicologia, em 05.08.12

Autora: Inês Mota

Psicóloga Clínica

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Inês Mota

O divórcio é invariavelmente um momento de crise para todos os envolvidos até pelas mudanças que necessariamente impõe enquanto fase de transição.

 

Uma separação ou divórcio subscreve o fim de uma relação conjugal e paradoxalmente após a separação impõe-se a necessidade de nutrição de uma relação de cooperação entre os pais: a relação co-parental.

 

A relação co-parental é muitas vezes difícil de alimentar pois com frequência após uma separação a relação emocional entre os cônjuges está ainda rodeada de mágoas e ressentimentos que dificultam a clara diferenciação da ex-relação conjugal, da relação parental.

De uma forma mais clara, a separação põe fim à relação conjugal mas não à função parental, o que pressupõe que neste momento de encruzilhada se consiga distinguir no outro de quem nos separámos o ex-cônjuge do pai/mãe atual, pois não é válido o pedido ou desejo de que passe também ser ex-pai/mãe. 

 

É importante que se perceba que a co-parentalidade é um fenómeno relativo, na medida em que pode variar consideravelmente a quantidade e a qualidade de envolvimento de cada um dos pais, ou seja, não se pode falar de forma universal e estandardizada de uma divisão igualitária em todos os momentos das responsabilidades parentais.

 

O que algumas vezes acontece é que batalhas são mantidas, alicerçadas em contantes acusações relativas a diferenças no tipo de envolvimento, tipo e forma de contribuição, ficando muitas vezes relegado para segundo plano o bem-estar dos filhos e inclusivamente o próprio bem-estar de cada um dos pais. A verdade é que cada um os pais pode contribuir de formas distintas quer a nível material, afetivo e/ou social.

No entanto, seria também utópico pensar que um casal que não ultrapassou as suas diferenças na vida em conjunto o possa fazer de forma perfeita ou mesma livre de qualquer conflito, no momento da divisão. De fato, a separação harmoniosa sem qualquer discussão, tem mais a ver com a utopia do que com a realidade humana e é importante saber que os conflitos geralmente fazem parte do processo de separação parental e que inclusive podem ser uteis para o encontro de negociações saudáveis, no entanto é fundamental balizar o nível de conflito para que este não ultrapasse limites aceitáveis.

 

É sensato pensarmos que mesmo ex- conjugues em conflito desejam que os filhos de ambos sejam felizes e bem sucedidos e que desejem igualmente a felicidade para si próprios.

 

Pais para sempre é o desafio já assumido pelos pais e na fase da separação proposto numa nova variante, em co-parentalidade, o que pressupõe então que cada um dos pais se assuma como ex-cônjuge, e que vista e invista no seu papel de pai/mãe no sentido de planificar um futuro relacional com os filhos e que contribua igualmente para uma relação o mais harmoniosa a cada momento, de cooperação parental.

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publicado às 11:46

Razão e emoção: o diálogo necessário

por oficinadepsicologia, em 13.07.12

Autora: Inês Mota

Psicóloga Clínica

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Inês Mota

Com frequência, em consultório, as pessoas consciencializam-se de que não é tarefa simples conhecerem o que sentem e saberem “falar” com elas próprias ou com os outros acerca disso, ou seja, a expressarem o que sentem.

 

A maneira própria como cada um de nós usa a “emoção” ou a “razão” pode estar fundada na forma como fomos aprendendo a usá-las no contexto da nossa família, e como foi perpetuada nas relações com o nosso grupo de amigos, na escola ou no trabalho.

 

De fato e remontando às nossas aprendizagens podemos verificar que o que nos foi sendo passado ao longo dos anos pode ser um pouco contraditório. Ora vejamos, com frequência ouvimos dizer “ aprende a confiar nos teus sentimentos e a seguir o teu coração” ao mesmo tempo que ouvimos também “não sejas demasiado emotivo/a ou irracional”. Assim, perceber e integrar estes ensinamentos nos assuntos do dia-a-dia e na direção a dar às relações não é de todo uma tarefa simples.

 

É também compreensível que muitas pessoas, sem a aprendizagem ou conhecimentos necessários para lidar com as “tempestades emocionais”, possam ser levadas a crer que a melhor forma será de fato controlá-las, podendo tornar-se exímias “problem solvers”, usando de forma recorrente a razão como via para resolver a maioria dos assuntos.

 

Para percebermos a ancestralidade deste debate relembremos o que já nos dizia Aristóteles:  “Toda a gente pode ficar zangada, isso é fácil, agora ficar zangado com a pessoa certa, na medida certa, no tempo certo, pelo propósito adequado e da forma adequada, isso sim já não é tarefa fácil. Pois isso envolve integrar coração e razão.”

 

Algo que nos pode ajudar nesta reflexão é saber que “Emoção” e “Pensamento (razão)” são fenómenos diferentes e que a nossa grande complexidade enquanto seres humanos é termos exatamente estas duas partes dentro de nós, este “eu emotivo” e este “eu racional”  que não estão necessariamente de acordo a maioria das vezes estando até muitas delas, em conflito.

 

A nossa parte mais racional é constituída pela parte mais refletida, mais deliberada. Esta parte contempla as nossas crenças, deveres e julgamentos e ainda ideais transmitidos e que acabam por estar presentes nas escolhas de objetivos. Esta parte é usada para a planificação de assuntos do dia-a-dia e para a antecipação do futuro.

 

A parte mais emocional é uma parte mais automática, deriva de um monólogo interior mais sensorial e experiencial, mais impulsivo e mais delicado. Esta parte incorpora as nossas avaliações e valores morais pro-sociais.

 

Estas duas partes de nós, a “nossa emoção” e a “nossa razão” são duas vozes distintas, e estão ambas acessíveis à consciências, mas uma comunica mais em palavras e a outra através dos canais sensoriais do nosso corpo. Desta forma é como se fossemos sobretudo movidos pela nossa emoção e guiados pela nossa razão.

 

O trabalho essencial da psicoterapia consiste precisamente em poder ajudar as pessoas a conseguirem lidar com as suas emoções de forma mais efetiva, sendo que este trabalho enriquecedor consiste exatamente em colocar estas nossas duas partes, a parte emocional e a parte racional a dialogar de forma útil e produtiva, trabalhando-se no sentido da integração da emoção e da cognição, usando-se a cognição para dar sentido à emoção.

 

O que se pretende e que é tarefa complexa é ajudar as pessoas a ficarem cada vez mais familiarizadas no processo de identificação e diferenciação das suas emoções, ajudar à diferenciação dos sentimentos individuais dos sentimentos dos outros e ajudar à síntese de emoções que surjam primeiramente como contraditórias.

 

Pretende-se assim ajudar as pessoas a usarem as emoções como informação para ser “lida” e percebida, para que os sentimentos e emoções possam ser articulados em palavras e símbolos, para que assim, depois de entendida a emoção, possa ser usada na medida mais certa da pretendida em determinado contexto.

 

Desta forma, e de acordo com este diálogo necessário entre emoção e razão vai-se tornando mais simples percebermos com quem estaremos zangados em determinado momento, zangando-nos na medida mais ajustada, conseguindo-se assim expressar essa zanga no tempo e contexto mais acertado e da forma mais adequada.

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publicado às 10:02

Depois da espada da separação, a cicatrização

por oficinadepsicologia, em 26.06.12

Autora: Inês Mota

Psicóloga Clínica

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Inês Mota

A separação, o divórcio ou o momento de rutura de um casal é uma experiência intensa e marcante, constituindo-se como um verdadeiro choque psicológico.

 

De facto, o contexto específico da crise da separação faz-se acompanhar por um intenso stress que ambos os envolvidos terão de enfrentar e que é gerado por inúmeros sentimentos e realidades que se impõem. Ambos os envolvidos terão de enfrentar a partir de então, nos seus processos e ritmos certamente diferentes e de acordo com a natureza do processo da separação, a tristeza perante a partida do outro, o eventual sentimento de se ter sido abandonado ou rejeitado, a culpabilidade perante o fracasso de não se conseguir manter a relação com o outro e a insegurança perante um futuro incerto. Acrescem-se ainda a inevitabilidade das realidades que se alteram e que são também elas geradoras de um grande stress, como por exemplo, a alteração da situação económica do casal, a frequência de oportunidades relacionais com os filhos e com a família alargada do ex-parceiro/parceira.

 

É assim compreensível que esta convergência de fatores gere um nível de stress elevadíssimo, que torna mais claro que a resolução deste momento de crise extremamente penoso possa estender-se a 2 anos.

É preocupante que é que esta crise por ser habitada por sentimentos tão dolorosos pode tornar-se destrutiva se não forem encontradas formas de a serenar.

 

É então importante sabermos que dificilmente se pode eliminar o stress associado à crise, mas que podemos sim reduzi-lo para níveis não destrutivos e que no processo sejam encontradas formas de se armazenar e gerar energia capazes de gerir uma crise que parecia insuperável.

Assim, e de forma a evitar cair num caminho de destrutividade, é importante conseguir-se evitar duros julgamentos relativos aos envolvidos até porque, e apesar da natureza da tomada de decisão da separação, ambos estarão provavelmente a elaborar, a compreender e a incorporar a situação no seu projeto de vida.

 

Importa compreender que sob o efeito de um stress tão intenso e com a revolta como líder verifica-se a tendência a serem adotados comportamentos atípicos, estranhos ou bizarros ao ponto de os envolvidos não se reconhecerem ou reconhecerem a outra pessoa da qual tinham um entendimento que permitiu cimentar uma vivência em conjunto. Assim, o enviesamento que este choque imprime distorce frequentemente a avaliação do outro que acaba por sair naturalmente contaminada, chegando a colocar-se em causa o valor do outro, o que se torna perigoso nos casos, em que ambos necessitarão um do outro para um exercício harmonioso da “função parental”.

 

De forma recorrente, torna-se difícil nestes momentos evocar as memórias saborosas dos momentos partilhados a dois, e apesar de certamente estes aspetos positivos não terem desaparecido, é como se se tivessem tornado invisíveis.

 

De facto verifica-se que para se sobreviver enquanto pais, após a desunião observada entre marido e mulher é necessária apelar à qualidade do perdão dos erros falhas e faltas cometidas e resistir à tentação de se realçar os desvios e deslizes do comportamento do outro. De forma a facilitar a compreensão, o casal desagregou-se exatamente pela divergência e é paradoxalmente o que se solicita como tarefa: uma tolerância a essa diferença, após a separação, para que possam continuar a exercer uma função parental saudável, num regime agora diferente.

A separação é inegavelmente um momento muito difícil mas incorrer na tentação de culpar o outro não irá alterar verdadeiramente a dor e a sua compreensão.

 

O caminho da cicatrização interna é encontrado no caminho de olharmos para nós próprios e procurarmos o que há da nossa responsabilidade nesta crise, porque normalmente numa situação de separação ou divórcio a responsabilidade é partilhada e é importante que cada um descubra o que lhe pertence.

 

Ultrapassar a crise significa ter a coragem de nela mergulhar, no sentido de a conhecer, compreender e incorporar.

É importante reter que a saída desta crise pode ser uma condição melhorada e que passará por uma elevação do nível de consciência daqueles que fomos, daqueles que somos e daqueles que pretendemos ser.

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publicado às 11:04

Os affairs e seus significados: ver para além da zanga

por oficinadepsicologia, em 13.06.12

Autora: Inês Mota

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Inês Mota

Os affairs são um tema presente nas relações de hoje e são experiências emocionalmente dolorosas para todos os envolvidos.

Qualquer traição tem um impacto profundo pois cruza temas como o amor e a rejeição, e se a traição é sexual o impacto emocional é normalmente mais avassalador.

 

É importante reter que diferentes tipos de affairs têm normalmente associados diferentes significados. Não espelham de forma tão linear as respostas às perguntas normalmente colocadas: “o que é que ele/ela tem a mais do que eu?”; “significa que já não gostas de mim?”. Pode ser difícil compreender estes quebra- cabeças, mas os affairs não são normalmente uma questão de sexo e não têm normalmente a ver com o facto de se gostar ou não do/a companheiro/a.

 

Os affairs comunicam o sofrimento e o desconforto. São então uma forma de se “falar” acerca do sofrimento pelo qual se está a passar ou pelo sofrimento que se está a passar na relação ou casamento.

Em determinados tipos de relações que os casais têm como lema “não se discutir é sinal de uma relação feliz”, as tantas coisas acumuladas por refletir ou discordar podem falar pelo affair.

Nas relações em que ambos receiam a vulnerabilidade, levantam-se altas barreiras à intimidade e o affair torna-se então mais um escudo protetor.

Nas relações em que um dos elementos se privou de alimentar o seu espaço individual e que sentiu que se sacrificou em demasia pela relação, o affair fala por fim desta necessidade às vezes não conhecida pelo próprio.

Há relações também em que o affair é apenas um veículo para se terminar o casamento e não a razão pela qual ele acaba, distraindo no entanto o casal das verdadeiras questões emergentes.

 

Os affairs são puzzles difíceis de entender mas é importante deixar a mensagem de que por vezes com a coragem de os descortinar, estes funcionaram em muitos casais como catalisadores para se reconstruir e encontrar uma relação muito mais satisfatória do que a conhecida antes do affair, pois foi utilizado como a oportunidade de se conhecer, trabalhar e dissolver os dilemas a ele associados.

 

Fonte: Brown, E. M (2001) Um guia para sobreviver às repercussões da infidelidade

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publicado às 10:30

Casamentos infelizes: reparar o "barco do amor"?

por oficinadepsicologia, em 03.06.12

Autora: Inês Mota

Psicóloga Clínica

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Inês Mota

O casamento ou a conjugalidade é um marco precioso nas nossas vidas. É sabido que é difícil manter o “barco do amor” em velocidade cruzeiro e todos sabemos também que por vezes a viagem contempla águas turbulentas ou agitadas.

No entanto, se lhe parece que de forma permanente não se sente feliz na sua relação, os dados a seguir podem ajudá-lo a motivar-se a investir a uma “inspecção” à mecânica do seu  antigo “barco do amor”.

 

Gottman, J., estudou 650 casais e seguiu o percurso dos seus casamentos por mais de 14 anos e revela que um casamento infeliz pode aumentar as probabilidades de ficar doente em cerca de 35% e mesmo diminuir a vida em 4 anos.

 

As probabilidades são melhor percebidas se atendermos ao facto de que as pessoas casadas que vivem infelizes experimentam um stress físico e emocional crónico com maior frequência o que pode determinar, por exemplo, tensão arterial elevada, doença cardíaca, ansiedade, depressão, abuso de substâncias e violência.

 

Num outro estudo conduzido pelo autor, dados significativos dizem-nos que nos casais infelizes com filhos os pais não são os únicos que sofrem, as crianças dos casais onde habita a hostilidade revelaram também níveis crónicos de hormonas de stress comparadas com as outras crianças estudadas. Estas crianças foram seguidas até idade de 15 anos e verificou-se que sofriam mais frequentemente de depressão, conflituosidade, rejeição pelos pares, problemas de comportamento, nomeadamente heteroagressividade, baixo rendimento escolar e mesmo insucesso escolar.

Desta forma fica claro que as consequências de, pelos filhos se manter um casamento onde a hostilidade é a regra, demonstram ser demasiado sérias e pesadas.

 

Gottman, revela-nos um achado valioso do decorrer da sua investigação: de que a maioria dos casais que mantiveram casamentos felizes, evidenciaram um casamento emocionalmente inteligente. Estes casais demonstraram ter atingido uma dinâmica que impede que os pensamentos e sentimentos negativos acerca um do outro se sobreponham aos positivos. Desta forma quanto mais um casal for emocionalmente inteligente mais é capaz de compreender, honrar e respeitar-se mutuamente e ao seu casamento. Segundo, o autor e felizmente para todos “os barcos do amor” que estão ancorados à espera de uma melhor maré, a inteligência emocional é uma capacidade que segundo o autor, pode ser ensinada a um casal. Com motivação, persistência e amizade conjugal poderá deixar-se navegar novamente em velocidade cruzeiro, e em marés tranquilas.

 

Fonte: Gameiro, J. (2007) Entre Marido e Mulher…Terapia de Casal, trilhos editora

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publicado às 14:08

Quem (re)casa quer casa nova

por oficinadepsicologia, em 27.08.11

Autora: Inês Mota

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Inês Mota

Com frequência são revelados em consultório os sentimentos de desilusão e frustração que se abatem sobre os casais de famílias reconstituídas. Este é um sinal de alerta significativo, já que as estatísticas indicam que a taxa de separação é maior nestas famílias comparativamente com as famílias tradicionais, deixando-nos de sobreaviso para o risco acrescido de ruptura das famílias reconstituídas.

 

É então importante apelar à “saúde” e preservação das famílias reconstituídas alertando os membros do casal de que as tarefas que têm a seu cargo são diferentes das famílias tradicionais e que envolvem uma maior complexidade e maturidade emocional.

 

É importante dizer também a estes casais que estas tarefas poderão ser desempenhadas com naturalidade e satisfação mas que é importante conhecer as diferenças, singularidades e os desafios que as mesmas comportam, para que possam ser satisfatoriamente superadas.

 

Tem-se verificado com frequência uma pressa em (re)casar ou em unir as duas famílias, por parte dos dois cônjuges, o que não é senão prejudicial à nova constituição. Veja-se, com naturalidade conta-se nas famílias reconstituídas com a presença de filhos, pelo que naturalmente o casal será muito solicitado no seu papel parental.

 

 

 

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publicado às 10:46


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