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À Descoberta dos Nossos Traços de Personalidade

por oficinadepsicologia, em 03.01.13

Autora: Isabel Policarpo

 

Psicóloga Clínica

 

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Isabel Policarpo

Geralmente gostamos de perceber melhor quem somos e de como são as pessoas que nos são mais importantes. Neste sentido, e tendo como ponto de partida a teoria dos “Cinco Factores de Personalidade” – extroversão, neuroticismo, abertura à experiência, afabilidade e consciência, aqui fica o desafio de descobrir onde se encontra em cada um desses traços.     

 

É importante notar que cada um dos cinco traços da personalidade representa um intervalo entre dois extremos. Por exemplo, a dimensão extroversão representa um continuum entre a extroversão e a introversão extrema. No mundo real, a maioria das pessoas tende a estar em algum lugar entre as duas extremidades de cada dimensão. Acresce que apesar da posição relativa que tendemos a ocupar nas diferentes dimensões, cada um de nós tem ainda a capacidade de se movimentar em cada um dos eixos de acordo com as situações e circunstâncias.

 

Aqui fica uma descrição sucinta de cada um desses cinco traços que representam grandes áreas da personalidade. Cabe-lhe a si perceber como tendencialmente se posiciona em cada uma dessas dimensões e encontrar a constelação única dos seus traços de personalidade.

 

Abertura à experiência

As pessoas abertas à experiência são intelectualmente curiosas, criativas, imaginativas e mais propensas a manter ideias pouco comuns. Apreciam a arte, a aventura, a variedade de experiências e são sensíveis à beleza. 

 

Na outra extremidade as pessoas mais fechadas à experiência tendem a ter interesses mais convencionais e tradicionais. Preferem o simples, o directo e o óbvio, sobre o complexo, o ambíguo e o subtil. Privilegiam a familiaridade em detrimento da novidade, porque são cautelosas e resistentes à mudança. Podem olhar as artes e as ciências com desconfiança e/ou considera-las desinteressantes.

 

Consciência

A consciência é a tendência para mostrar autodisciplina, para agir com sentido do dever e com vista a alcançar metas pré-definidas. Há uma preferência pelo planeamento e reflexão, em detrimento de um agir baseado na espontaneidade. As pessoas tendem a ser organizadas, eficientes, conscientes dos detalhes e apresentam um bom controle de impulsos.

 

Na outra ponta da escala as pessoas têm dificuldade em regular e dirigir os seus impulsos, tendendo a ser indisciplinadas, inconsistentes e pouco confiáveis.

 

Extroversão

Esta característica inclui características como sociabilidade, loquacidade, assertividade e expressividade emocional. A extroversão é caracterizada por emoções positivas e pela tendência para procurar estimulação no exterior e na companhia dos outros. Os extrovertidos gostam de estar com as pessoas, e muitas vezes são vistos como cheios de energia. Tendem a ser entusiastas, orientados para a acção e são propensos a dizer "Sim!" ou "Vamos lá!" às oportunidades de excitação. Em grupo gostam de falar, afirmar-se e de chamar a atenção para si.

 

Na outra extremidade da escala os introvertidos têm menos necessidade de socialização e de actividade. Tendem a ser calmos, discretos, reservados e solitários. A falta de envolvimento social não deve ser interpretada como timidez ou depressão, simplesmente têm menos necessidade de estimulação e precisam de mais tempo para estarem sós. Podem igualmente ser activos e enérgicos, simplesmente não socialmente.

 

Afabilidade

Esta dimensão de personalidade inclui atributos como confiança, altruísmo, bondade e carinho.

É a tendência a ser compassivo e cooperativo, a gerar harmonia social em detrimento de uma atitude antagónica e de suspeição em relação aos outros. As pessoas tendem a ser agradáveis, atenciosos, simpáticos, generosos e a ter uma visão optimista da natureza humana.

 

Na outra ponta da escala os indivíduos pouco afáveis colocam o interesse próprio acima do dos outros. Tendem a ser despreocupados com o bem-estar do outro e menos propensos a entenderem-se com os demais. O seu cepticismo sobre as pessoas em geral, faz com que sejam desconfiados, hostis e pouco cooperativos.

 

Neuroticismo

Esta dimensão da personalidade inclui a tendência para experimentar facilmente emoções desagradáveis como ansiedade, raiva, irritabilidade, instabilidade emocional, tristeza e vulnerabilidade. São pessoas emocionalmente reactivas e vulneráveis ao stress e a estímulos aversivos. Têm tendência a interpretar situações normais como ameaças e vivenciam as pequenas frustrações como situações irremediavelmente difíceis. As suas reacções emocionais negativas tendem a persistir por períodos longos de tempo. A dificuldade na regulação emocional diminui a capacidade da pessoa para pensar com clareza, tomar decisões e lidar de forma eficaz com o stress.

 

Na outra ponta da escala, os indivíduos que pontuam baixo nesta característica são menos reactivos. Tendem a ser calmos, seguros e emocionalmente estáveis.

 

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publicado às 20:06

Será que Existem Mesmo Traços de Personalidade?

por oficinadepsicologia, em 20.12.12

Autora: Isabel Policarpo

 

Psicóloga Clínica

 

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Isabel Policarpo

Identificar as características e a estrutura da personalidade humana afigurou-se, desde sempre, como um dos objectivos fundamentais da psicologia. Neste sentido, foram sendo realizados ao longo do tempo estudos com o intuito de descobrir as dimensões e/ou traços que permitiriam descrever a personalidade humana.

 

Existem várias modelos de traços de personalidade, mas um dos que é mais utilizado na psicologia dada a sua robustez para compreender a personalidade é o dos “Cinco Factores da Personalidade”, de Costa & McCrae. De acordo com este modelo os cinco traços de personalidade são - Extroversão; Neuroticismo; Abertura à Experiência; Afabilidade  e Consciência.     

 

A consistência deste modelo advém, não só do facto do mesmo ter sido descoberto e definido por diversos pesquisadores independentes, mas decorre também do facto de posteriormente ter sido demonstrada a sua universalidade.

 

Hoje assume-se que as cinco dimensões gerais do modelo contêm os traços de personalidade mais conhecidos, configurando-se ainda como a estrutura base sobre a qual assentam todas as outras características ou traços de personalidade.

 

De algum modo pode dizer-se que esses cinco traços de personalidade representam as qualidades mais importantes que moldam a nossa paisagem social.

 

A ideia de que existem traços de personalidade é fácil e acessível. Todos nós temos a noção de que existe alguma consistência na forma como cada um de nós e dos outros se comporta ao longo do tempo, sendo assim fácil dizer que, por exemplo, determinada pessoa é reservada enquanto outra é extrovertida.

 

Os traços de personalidade podem assim ser equacionados como padrões habituais de comportamento, pensamento e emoção. Afigurando-se como características que são relativamente estáveis ao longo do tempo.

 

Ter um traço de personalidade não implica que as pessoas se comportem sempre da mesma maneira, todos nós apresentamos alguma variabilidade nos nossos comportamentos não só em função da fase do ciclo de vida onde nos encontramos, mas também fruto das próprias circunstâncias, contudo isso não nos impede de perceber que cada um de nós mostra padrões de personalidade facilmente reconhecíveis ao longo do tempo.

 

Efectivamente cada um de nós tem a capacidade de se mover ao longo de cada dimensão ou traço à medida que as circunstâncias sociais ou temporais mudam. O nosso comportamento envolve e requer sempre a interacção entre os traços de personalidade e as variáveis situacionais.

 

A situação em que a pessoa se encontra, desempenha um papel relevante na forma como a pessoa reage. Cada pessoa não deve por conseguinte, ser posicionada numa das extremidades de cada um dos traços, como se de uma dicotomia fixa se trata-se, mas antes ser compreendida como movimentando-se num continuum, apresentando contudo algumas características mais frequentemente do que outras.

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publicado às 11:40

Quando mais, é menos

por oficinadepsicologia, em 05.11.12

Autora: Isabel Policarpo

 

Psicóloga Clínica

 

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Isabel Policarpo

É natural que nos preocupemos com os nossos filhos mesmo quando eles já são jovens adultos, quer ainda vivam connosco ou se preparem para sair de casa.

 

Para nós pais, eles serão sempre os nossos filhos e durante muitos anos, enquanto eles ainda eram pequenos, sentimos que éramos responsáveis por eles e por muito do que lhes sucedia nas suas vidas.

 

Todos nós nos lembramos de um sem número de pequenas situações, que nos fizeram estar vigilantes e/ou que provocaram o acelerar do nosso coração, como quando, por exemplo, antecipávamos que algo poderia não ter o desfecho desejado e temíamos pelo seu eventual impacto nos “nossos miúdos”.

 

Provavelmente todos nós, em maior ou menor grau fomo-nos preocupando com uma enorme variedade de coisas e situações, pelo que nem sempre é fácil parar e mudar de registo à medida que os filhos  vão crescendo.

 

A preocupação dos pais com os filhos mais velhos, surge assim na continuidade de um conjunto de padrões que foram sendo desenvolvidos desde o início da relação pais-filhos, quando estes eram totalmente indefesos e incapazes de lidar com o mundo que os rodeava.

Acresce que ninguém tem dúvida que se alguém se preocupa connosco, isso pode ser visto como um sinal de amor e como uma expressão de proteção e cuidado. Todos nós nos sentimos reconhecidos e agradados em relações em que a outra pessoa manifesta alguma preocupação connosco e procura ajustar-se às nossas necessidades. Nesta acepção, a preocupação parece reflectir o investimento que uma pessoa faz numa determinada relação.

 

Contudo, é importante não esquecer que a preocupação em excesso em qualquer relação - e a relação pais-filhos não foge à regra - pode constituir-se como um elemento de afastamento, ao invés de contribuir para consolidar a relação. Imagine por exemplo, que sempre que o seu filho sai de carro lhe telefona de 5 em 5 minutos para verificar se ele já chegou, este tipo de preocupação é intrusiva e pode minar uma relação que à partida é positiva e saudável.

 

Sendo a preocupação social e emocionalmente aceite, é fundamental ter em atenção não só a frequência com que manifestamos as nossas preocupações, mas também o modo como o fazemos.

 

Tenha cuidado para que a quantidade de preocupação que manifesta, não represente um fardo para os seus filhos. Lembre-se também que quando manifesta uma preocupação isso causa sempre algum desconforto no outro, pelo que a forma como a expressa é realmente relevante. É importante que o seu filho(a) não sinta que você o olha como sendo incapaz de gerir os seus próprios assuntos e/ou como alguém que lhe está a passar um atestado de incompetência.

 

A manutenção da autonomia e da confiança são duas pedras angulares de qualquer relação saudável e que se pretende que perdure no tempo.

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publicado às 13:10

A inevitabilidade das desconexões

por oficinadepsicologia, em 04.11.12

Autora: Isabel Policarpo

 

Psicóloga Clínica

 

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Isabel Policarpo

Todos nós precisamos de estabelecer laços e de estar ligados a outras pessoas. Diversos autores demonstraram que esta é aliás uma necessidade básica dos seres humanos, bem como de alguns animais. Mas apesar disso a ligação ao outro nem sempre é fácil, digam lá o que disserem.

 

De facto todos nós nos recordamos de inúmeros episódios, em que estavam reunidas as condições para que aquele fosse um “ momento único “e onde apesar de todos os preparativos e afinidades em comum, o momento simplesmente não aconteceu.

 

Os pontos de proximidade existentes entre nós e os nossos amigos e companheiros, levam-nos a esquecer com facilidade que afinal habitamos corpos distintos e que tivemos percursos e histórias de vida díspares, pelo que é natural que não só não pensemos nem olhemos para a vida exactamente da mesma forma, como as circunstâncias não tenham o mesmo impacto em cada um de nós.

 

Uma parte significativa do sofrimento que ocorre nas relações interpessoais, advém da sensação de desconexão, entendendo-se a desconexão como uma quebra no sentimento de reciprocidade – isto é quando o “nós”, dá lugar ao “eu” e ao “tu”. Algumas desconexões são óbvias como quando o nosso companheiro comete uma infidelidade, outras são menos evidentes, como quando no meio de uma conversa o nosso companheiro decide ir ver o programa de desporto ou simplesmente não reparou que tínhamos uma camisola nova vestida.

 

O Homem tende a evitar a dor e o desprazer, e muitas vezes sem consciência de que está a fazê-lo. Tendencialmente quando nos confrontamos com emoções que não nos agradam – como o medo, o ciúme, a raiva, a vergonha ou a perda— tendemos a retirar-nos emocionalmente e dirigir a nossa atenção para outro lugar. Mas negar o que sentimos ou projetar nos outros os nossos medos e culpas, impede, por um lado, o nosso desenvolvimento e crescimento pessoal e, por outro, conduz a bloqueios entre nós e as pessoas de quem queremos estar próximos.

 

A prática de mindfulness afigura-se como uma ferramenta importante para lidar com os momentos desagradáveis da vida e com as nossas desconexões. O mindfulness envolve a um tempo a consciência do momento presente e outro a aceitação dessa experiência, entendendo-se a aceitação não como um tolerar ou perdoar um comportamento eventualmente abusivo, mas como algo que é inevitável e que tem de ser enfrentado para poder ser compreendido e acomodado dentro de nós. No âmbito das relações isso significa, por exemplo, aceitar a inevitabilidade de desconexões dolorosas e de utilizar esses momentos como oportunidades para trabalhar emoções difíceis.

 

Todos nós temos sensibilidades e temas pessoais – uma espécie de "botões quentes", que são facilmente evocados nas nossas relações mais íntimas. A prática do mindfulness, da atenção plena ajuda-nos a identificá-los e a reagir a eles de forma diferente, permitindo-nos manter ligados às pessoas que nos são queridas.

 

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publicado às 10:30

Quais as relações que passam o teste do tempo?

por oficinadepsicologia, em 11.10.12

Autora: Isabel Policarpo

Psicóloga Clínica

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Isabel Policarpo

Aquilo a que nós chamamos amor, é talvez uma das áreas mais estudadas, mas também uma das áreas menos compreendidas em psicologia. É possível que os diferentes estudos efectuados nesta área, tenham cometido o erro de não realizar a investigação junto das pessoas “certas”.

O psicólogo K. Daniel O’Leary no sentido de ultrapassar essa lacuna realizou um estudo com casais, que vivem em conjunto há pelo menos 10 ou mais anos. Esse estudo, não só demonstrou que muitos casais ainda se amavam e estavam envolvidos após 10 ou mais anos de relação, como permitiu identificar os factores que ajudam a manter o amor vivo.

 

Acresce que os resultados desta investigação, contrastam fortemente com a visão sombria que habitualmente subsiste das relações de longa duração. Ao inverso do que seria expectável, as pessoas não estão condenadas a uma existência medíocre e sem graça, dado que uma parte significativa dos casais envolvidos no estudo detinha sentimentos positivos e de entusiasmo saudável em relação aos seus cônjuges, apesar das décadas de vida conjunta.

 

As teorias psicológicas sobre o amor referem que características, como a paixão, o compromisso, a intimidade, as necessidades emocionais e/ou a capacidade para comunicar, se afiguram como dimensões por excelência para predizer o grau de intensidade da relação. Mas quando se trata de predizer quais os relacionamentos que vão manter o amor ao longo do tempo, como será?

 

A pesquisa de O’Leary sugere que as pessoas que se mantêm mais intensamente apaixonadas, são aquelas que a par de uma forte atracção romântica, se envolvem conjuntamente em actividades novas e desafiadoras de auto- desenvolvimento.

Que outras dimensões que se revelaram importantes para predizer a longevidade da relação?

 

Pensar positivamente sobre o seu companheiro(a) é um aspecto relevante, na medida em que significa que é capaz de se concentrar nas qualidades pessoais do seu parceiro, no que este tem de bom e positivo. De um modo geral, remoer sobre as coisas que incomodam, só conduz a ampliar as fraquezas. As pessoas que estão envolvidas em bons relacionamentos, tendem a lembrar mais as experiências favoráveis que vivem em conjunto, do que as desfavoráveis.

 

Quando você deixa o seu parceiro durante algum tempo, você esquece-se da sua existência? Para você é fora da vista, fora do coração? Se assim for, este pode ser um sinal de que você não está muito envolvido nem apaixonado.


Pensar no seu parceiro(a) quando estão separados, surge como outro parâmetro importante. Não temos que gastar cada segundo do nosso tempo a suspirar ansiosamente pelo nosso parceiro, mas será expectável que de onde em onde nos recordemos dele.

 

Também a dificuldade em concentrar-se em outras coisas quando pensa sobre o seu companheiro(a) pode ser reveladora. Se é capaz de anular os seus pensamentos sobre o seu parceiro sem muito esforço, isso sugere que o ele ocupa apenas uma pequena quantidade da sua “carga cognitiva”.

 

Outra dimensão relevante prende-se com o passar tempo em conjunto e divertir-se em actividades novas e desafiadoras. O tempo que passam em conjunto surge como uma variável importante, mas não se trata apenas da quantidade de tempo, mas da qualidade do tempo que passam juntos, sendo esta aquela que mais influencia a satisfação com o seu relacionamento. O tempo conjunto deve incluir algumas actividades novas e desafiadoras, mas também as actividades domésticas e corriqueiras quando realizadas pelos dois podem aumentar a intensidade do amor - jardinagem, cozinhar, fazer compras e até mesmo limpar a casa são formas de reforçar o amor um pelo outro.

 

A expressão de afecto surge também como um preditor da longevidade da relação. Sentir amor pelo companheiro(a) é importante, mas importa igualmente expressar esse amor de forma física. Os pequenos toques de carinho permitem não só aumentar a ligação emocional com o parceiro, como também atiçar o desejo. Os respondentes que relataram amor mais intenso pelo seu parceiro no estudo O'Leary, disseram que sentiam os seus corpos responder quando o seu parceiro lhe tocava. Não é nenhuma surpresa que a relação sexual é uma expressão positiva da intensidade do amor. As pessoas apaixonadas são mais propensos a ter relações sexuais numa base regular. A actividade sexual constrói e mantém sentimentos de amor e de felicidade capazes perdurar no tempo.

 

Finalmente ter uma forte paixão pela vida afigura-se como uma dimensão de relevo. As pessoas que se aproximam da sua vida diária com entusiasmo e emoções fortes, parecem levar esses sentimentos intensos também para a sua vida amorosa. As pessoas que se sentem mais felizes com a vida têm também sentimentos mais fortes de amor para com seus companheiros. Os sentimentos de angústia pessoal, tendem a extravasar e a provocar sofrimento no relacionamento.

 

Os relacionamentos próximos são uma peça central do nosso sentido de identidade, ao mesmo tempo que são fundamentais para os nossos sentimentos de satisfação. O que pode esperar do seu relacionamento? Será que ele “tem pernas para andar”?  

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publicado às 10:23

A propósito do "coração partido"

por oficinadepsicologia, em 09.10.12

Autora: Isabel Policarpo

Psicóloga Clínica

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Isabel Policarpo

E quando o nosso parceiro de longa data, de repente foge e se muda para casa da outra? Como sobreviver à saída inesperada e abrupta do marido, sobretudo quando se acreditava estar num casamento feliz e seguro?

 

Muito tempo depois desse “dilúvio” muitas são as mulheres que continuam a sofrer intensamente. Muitas perguntam: "Mas será que eles nunca sentem remorso?". É comum os maridos justificarem as suas escolhas, culpando as companheiras pelas suas ações – ou seja, listando tudo o que não estava certo no casamento como desculpa.

 

A mulher é capaz de examinar as explicações dele durante meses, vezes sem conta na sua mente, para mais tarde chegar à conclusão de que se ele ao menos conseguisse dizer "desculpa" e realmente o sentisse, isso contribuiria para a libertar do longo caminho da sua dor.

Poucos são os homens, que mesmo após a poeira baixar, são capazes de expressar remorso. O que não quer dizer que realmente não o sintam. Mas a perspectiva de uma conversa de coração a coração com a pessoa que tão gravemente se feriu, não é algo que ninguém aprecie, pelo que seria necessário uma alma muito corajosa para se voluntariar a fazê-lo. Mas esta incapacidade leva muitas vezes a mulher a sentir-se presa e incapaz de sentir alívio.

 

O ponto de viragem para muitas mulheres que vivenciam situações semelhantes, surge no entanto quando elas são capazes de arrancar a sua visão do passado, e se viram para olhar para o seu próprio futuro. Nem sempre é possível fechar o círculo, diria que é mesmo um luxo que não temos sempre a sorte de desfrutar. Mas é exactamente a busca contínua de fecho, que mantém a mulher presa.

É irrealista esperar por um tempo em que você não vai mais ter uma pontada de tristeza ou mágoa quando ouvir no rádio a “vossa música” e não importa quanto tempo passou. Isso é da natureza humana. Mas o objetivo é ter de volta a sua vida nas suas próprias mãos e lutar para se sentir bem e feliz, apesar da mágoa que experimentou.

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publicado às 11:05

O ninho vazio: quando os filhos saem de casa

por oficinadepsicologia, em 25.07.12

Autora: Isabel Policarpo

Psicóloga Clínica

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Isabel Policarpo

A síndrome do “ninho vazio” refere-se a sentimentos de depressão, tristeza e dor que os pais experienciam quando os filhos deixam as suas casas de família.

 

As mulheres são geralmente as mais afectadas, contudo isso não quer dizer que os homens sejam completamente imunes à síndrome do “ninho vazio”. De facto, os homens também podem vivenciar os mesmos sentimentos de perda com a partida dos filhos e também passam por um período de adaptação, mas as suas reacções podem ser diferentes e não têm forçosamente de espelhar as da mulher.

Mas independentemente das razões dos filhos para cortarem o “cordão umbilical” com os pais – a ida para a faculdade, talvez casar ou simplesmente mudar de cidade para começar a trabalhar, a situação provoca em nós um carrossel de emoções. E que conjunto de emoções!

Para além dos inevitáveis sentimentos de perda, todos nós enfrentamos esta transição com ansiedade, stress e alegria. Não sabemos se havemos de celebrar a nossa nova liberdade ou se chorar pela temida solidão. Podemos sentirmo-nos alegres e tristes, confiantes e medrosos, optimistas e cheios de preocupações e tudo isso pode acontecer ao mesmo tempo e num só dia, o que é perfeitamente normal.

 

Mas a saída de casa dos filhos não tem de ser sinónimo de crise, na prática trata-se de um estádio natural do nosso ciclo de vida, de uma mudança que a maioria de nós desejou para si próprio e que espera que os filhos mais tarde ou mais cedo também alcancem.

 

Já pensou que quando um filho está pronto para sair de casa, isso geralmente significa que nós como pais, fomos bem sucedidos a educá-lo de modo a ele ser auto-suficiente e independente – uma das tarefas seguramente mais importantes que temos como educadores? Já pensou que com a partida dos filhos também você merece um voto de parabéns? Sim, parabéns por ter criado o seu filho/filha de modo a que ele/ela seja capaz de ser dono de si e da sua própria vida.

 

Apesar de tudo isso, não conseguimos deixar de ser invadidos pela ansiedade, pelo stress e por alguma tristeza. Sempre que isso sucede, talvez ajude pensar noutros momentos em que deixou o seu filho ir por si e no quanto essas situações ensinaram a ambos lições importantes. Talvez a primeira vez que deixou o seu filho sozinho foi quando ele ficou a dormir em casa dos avós, para poder ir fazer aquele programa que há muito não fazia, ou quando o convite da festa de aniversário de um amiguinho excluía os adultos ou simplesmente quando o deixou pela primeira vez no infantário. Depois disso, houve muitos outros momentos em que o deixou aventurar-se por si próprio, munido com as ferramentas e valores que lhe passou para ser bem sucedido. Provavelmente nem sempre foi fácil nem tranquilo, mas o facto de o ter deixado ir significou que confiava que nele, que acreditava que ele tinha aprendido com as experiências anteriores e/ou sabia lidar com as circunstâncias do presente e sair delas com uma sensação de conforto e satisfação.

 

Acresce que quando os filhos saem de casa também o nosso papel como pais muda. Deixamos de estar fisicamente presentes, para passarmos a ter uma presença mais remota e distante. Provavelmente deixamos de saber como foi o seu dia-a-dia, assim como deixamos de saber se hoje estava alegre ou triste. Mas isso não significa que o nosso papel de pais desapareça, de facto ele mantém-se, mas de um modo distinto, o que requer um ajustamento da nossa parte, um ajustamento que é absolutamente necessário e no interesse do jovem.

 

Como sobreviver a este tempo de mudança?

O stress e a ansiedade podem tornar-nos irritadas, deprimidas e auto-centradas, o que pode conduzir a zangas com o companheiro. É importante ter a noção que ambos estão a passar por uma fase de adaptação que é difícil. A melhor coisa que podem fazer um pelo outro é ouvir, dar o ombro para o outro se encostar e ser tolerante e apoiante. Para aqueles que são pais “solteiros”, é importante que possam contar com amigos e familiares para ajudar. Também encontrar outras pessoas que estejam a passar pela mesma fase de vida com quem falar, pode ser uma boa alternativa.

 

Não se esqueça de ouvir o seu filho e procure perceber em que é que ele precisa e em que é que ele não precisa de si. Tente compreender qual é a ideia dele acerca da nova relação convosco. É importante dar apoio e encorajá-lo. Faça-lhe saber que apesar de ser uma nova fase da vida dele, que acredita que vai ser bem sucedido. É importante que tentar relacionar-se com ele de um modo adulto.

 

E não se esqueça que agora chegou o momento para tomar conta de si, para se nutrir de todas as formas que lhe fazem sentir-se bem. Pode-lhe apetecer ir ao ginásio, aprender a pintar ou uma nova língua, relacionar-se com amigos antigos ou fazer novos amigos, voltar à escola, arranjar um trabalho ou ser voluntário. Há tantas coisas que pode fazer por si, basta sentar-se e pensar nisso. Pode igualmente envolver-se em projectos que teve de deixar de lado – projectos como ter a casa organizada, ir de viagem ou arrumar álbuns de fotografias.

 

A saída de casa de um filho marca o inicio de uma nova fase, não só para ele, mas também para si. Procure olhar a vida noutra perspectiva e explore coisas novas ou tão somente as antigas que ficaram em stand-by, mas acima de tudo dê a si mesma um intervalo, permita sentir-se triste, alegre, optimista, receosa ou qualquer que seja a emoção. E lembre-se que não está sozinha.

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publicado às 14:31

Autora: Isabel Policarpo

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Isabel Policarpo

De modo quase surpreendente a dimensão da nossa pupila dá indicações preciosas e objectivas sobre a nossa letargia e o nosso grau de privação do sono.

 

A medida chamada de pupilometria é muito utilizada em investigação – de facto não só a dimensão da pupila, mas também a forma como esta muda pode ter significado.

 

A dimensão da pupila é afectada pela acção do sistema nervoso. Durante os períodos de repouso ou inversamente durante os períodos de actividade e activação esta influência muda. Se está activo o sistema nervoso simpático entrará em acção e as suas pupilas dilatam-se, permitindo que mais informação seja percepcionada e assimilada. Durante os períodos de descanso e relaxamento o sistema nervoso parassimpático complementarmente entrará em acção, fazendo com que as pupilas retomem o seu estado por defeito e se tornem assim mais pequenas.

A investigação demonstrou que existe uma forte relação entre a privação de sono, o tamanho da pupila e a sua estabilidade. Um indivíduo bem descansado consegue manter a pupila constante na escuridão durante 15 minutos. À medida que aumenta a nossa privação de sono, a dimensão da nossa pupila fica menos estável, isto é oscila entre ficar subitamente muito grande ou pequena, em vez de manter a dimensão.

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publicado às 17:24

As armadilhas do casamento

por oficinadepsicologia, em 12.06.12

...ou quando os príncipes e princesas são, afinal, simples seres humanos...

 

Autora: Isabel Policarpo

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Isabel Policarpo

O casamento começa quase sempre como uma idealização do outro. Ela olha para ele e acredita que ele a fará feliz, que a completa, que tomará conta dela e que as vossas crianças serão lindas e inteligentes. Ele por seu lado, olha para os seus olhos convidativos e vê um universo cheio de promessa e desejo. Tudo parece perfeito e acreditamos que vamos viver o “e foram felizes para sempre”. Sonhamos com o grande dia e planeamo-lo com um imenso detalhe. Mas apesar de toda a pompa e circunstância, o casamento envolve riscos, porque a idealização inerente ao amor romântico e à paixão pode levar a uma armadilha onde nos podemos sentir verdadeiros escravos.

 

Frequentemente esquecemo-nos que o casamento é como quando compramos uma casa pela primeira vez. Escolhida a casa temos que tratar dela, decora-la, mantê-la, pagá-la, para não falar já nos vizinhos e nas fastidiosas reuniões de condomínio e todo um conjunto de outras coisas decorrentes de termos algo nosso.

 

É aqui que o verdadeiro trabalho do amor começa e acontece. Mas é também aqui, que começa o confronto com a realidade e é muito fácil o casal envolver-se rapidamente em espirais de ressentimento mútuo. "Porque é que eu deveria fazer alguma coisa por ele quando ele só pensa em si mesmo?".      “Agora estás sempre a criticar-me” . ”Senão gostas, vai-te embora” . “Senão gritasses tanto, teria vindo para casa mais cedo”. O ressentimento é o veneno do amor.

 

E para alguns o casamento termina aqui. Para outros é tempo de aceitar a perda de um casamento baseado em mútuas fantasias infantis, mas desistir e abandonar o sonho não é fácil. O ressentimento tem de ceder lugar ao “deixar para trás”, sentimos-nos apertados e angustiados, afinal doí sempre quando temos de deixar algo para trás. Mas lenta e seguramente, é possível substitui-lo por um novo projecto, por uma parceria produtiva e necessária  -  o amor entre dois adultos.

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publicado às 11:26

Que fazer quando a preocupação é excessiva?

por oficinadepsicologia, em 08.12.11

Autora: Isabel Policarpo

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Isabel Policarpo

A preocupação é uma tentativa de resolver um problema, seja procurando maximizar os bons resultados ou minimizando o impacto dos efeitos negativos, o que permite aumentar a sensação de previsibilidade e de controle face ao desconhecido e/ou inesperado.

 

A preocupação é algo que todos sentimos, em particular quando nos confrontamos com situações de stress, há contudo pessoas que apresentam níveis excessivos de preocupação, isto é que pela sua intensidade e dificuldade de controlar, interferem com a qualidade de vida e com a sensação de satisfação perante a vida, ao mesmo tempo que têm um impacto negativo em múltiplas áreas da vida da pessoa, quer seja a nível profissional, familiar ou  pessoal.

 

É importante conhecermos os nossos stressores, isto é aquilo que nos pode fazer iniciar um ciclo de preocupação para mais facilmente e de acordo com as diversas circunstâncias do dia-a-dia sermos capazes de antecipar quando poderão surgir. O simples facto de sabermos que os mesmos vão ocorrer permite-nos encarar o que vem a seguir com uma maior sensação de controle, ao mesmo tempo que possibilita que nos prepararemos “para a maratona”. Tal como na fábula da formiga e da cigarra, em que a primeira se prepara para o inverno recolhendo alimentos para os momentos de escassez, também nós podemos criar “músculo e endurance” para os tempos difíceis, assumindo uma atitude preventiva.

 

O que podemos fazer antes dos problemas surgirem? Podemos começar por aprender a diminuir os nossos níveis de ansiedade, quer aprendendo a relaxar quer por intermédio da prática regular de exercício físico. Igualmente importante, é aprender a bem dormir para que possamos ter acesso a uma noite de sono reparadora – também o sono se prepara, mas em adultos esquecemos isso frequentemente, por exemplo é assim habitual continuarmos a envolvermo-nos em actividades e afazeres diversos até o momento de ir para a cama, como se o nosso cerebro de repente fosse capaz de desligar, como um qualquer interruptor. Também nas ocasiões que precedem o stress particular atenção deve ser dada “aos mimos” que podemos dar a nós mesmos, estamos a falar de coisas tão simples como tomar um banho de imersão ou sentar no sofá a ouvir aquela música que nos tranquiliza e transporta para um momento zen. Os mimos enchem a nossa vida de sensações poderosas de bem estar, capazes de funcionar como verdadeiros anti-stress naturais. 

 

 

 

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publicado às 15:26


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