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Era uma vez um manjerico mágico

por oficinadepsicologia, em 17.08.12

Autor: Luís Gonçalves

Psicólogo Clínico

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Luis Gonçalves

 

Era uma vez um manjerico como outro qualquer. Sim, leu bem… vim contar uma história sobre uma dessas plantas tão típicas dos Santos Populares. E uma pergunta fará já de seguida: mas que tem a ver uma planta com psicologia? Nada, aparentemente nada. Mas talvez esta o inspire, a minha ideia é essa.

Certo dia, um rapaz comprou um manjerico por altura do Santo António. Depois de ouvir e ver histórias sobre a sua grande sensibilidade e curto período de vida, decidiu abraçar este ambicioso projeto. Juntou então a sua grande ligação à Natureza ao gosto por desafios e decidiu tentar manter a planta viva e facilitar o seu crescimento. Não arranjou o manjerico por uma questão de ser habitual as pessoas terem-nos por esta altura. Nem tão pouco pela quadra tão típica que ele trazia, por muito cativante que fosse como prenda amorosa seguindo a tradição popular. A sua intenção era apenas cuidar atenciosamente dele, fazendo-o sobreviver e reproduzir-se. Mas sem sequer pensar que o desafio se iria tornar muito maior do que ele alguma vez supôs…

E os primeiros dias revelaram-se promissores. O manjerico parecia estar a corresponder muito bem à atenção que lhe era dada. Parecia saudável e o contentamento do rapaz crescia de dia para dia. Afinal de contas, tinha feito uma “aposta” com a sua mãe. Havia sido ela que, em tempos distantes, lhe tinha dado a conhecer este ser vivo tão lisboeta e bem cheiroso. Na sua infância, lembrava-se dela comprar sempre um para festejar o Santo António e alegrar a casa. Mas eles não duravam muito, havia ali qualquer coisa que falhava. E o rapaz decidira agora que estava na altura de tentar inverter a tendência. Tudo parecia apontar para o sucesso, à medida que o manjerico se mostrava cheio de vitalidade e pronto para crescer. Até que um dia…

Até que um dia surgiu uma corrente de ar em casa que fez tombar o vaso, criando um cenário desolador. Em segundos, havia bocados de barro cozido, terra e de manjerico por todo o lado. O rapaz ficou desolado porque não gostava de ver nenhum ser vivo naquele estado. E claro que se sentiu frustrado por, mais uma vez, assistir ao fim de um manjerico. A tal planta que era suposta dar alegria.

Manjerico da OP



Mas ele não se deu por vencido: pegou meticulosamente nos pedaços que sobraram, improvisou um vaso e juntou-lhe alguma terra. Não havia tempo a perder! Acreditou ser possível fazer renascer este resquício de vida apenas com o seu afeto. Houve até momentos em que achou que não ia conseguir, a tarefa tinha-se tornado gigante. Dia após dia manteve o seu cuidado pelo que sobrava do manjerico outrora vistoso e jovial. E à medida que o tempo passava, havia algo nele que lhe dizia para continuar. Para persistir. Para acreditar.

Chegou então um dia em que o rapaz olhou com maior detalhe para o seu manjerico sobrevivente, como se procurasse secretamente um sinal do desfecho desta história. E tal não foi o seu espanto quando reparou que a planta estava de ótima saúde, verde e cheia de vitalidade. Mas não era tudo, o melhor vinha a seguir. Observou que pequenas folhas despontavam por todo o lado, num fenómeno de vida simplesmente notável. O desafio que era grande e que, mais tarde, se tornou quase intransponível, havia sido vencido com um grande sorriso à mistura!

O que tirei desta história foi que devemos sempre lutar por aquilo em que acreditamos. Aconteça o que acontecer, há que manter a fé e a determinação. Devemos continuar sensíveis à sensibilidade que nos rodeia, mesmo quando a desilusão toma conta de nós e nenhum resultado vemos do nosso esforço. Seremos até resilientes ao ponto de transformar obstáculos em momentos de superação e energia, ressignificando-os como recursos positivos. E que nunca devemos esquecer o mundo natural. Devemos aprender a lê-lo e respeitá-lo: ele tem chaves que mudarão a nossa existência.

E no final disto tudo, olharemos para trás e sentiremos que valeu a pena. Que nos tornámos mais e melhor. Que conseguimos.

(Já agora, o rapaz da história sou eu e o manjerico valente é este!)

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publicado às 10:36

Viva a vida de vez: o paradoxo do burro de Buridan

por oficinadepsicologia, em 02.06.12

Autor: Luis Gonçalves

Psicólogo Clínico

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Luís Gonçalves

Há uns anos atrás conheci uma história simples. Daquelas tão simples que mudam tudo. Comenta-se que vem até dos tempos do fabuloso Aristóteles, antes do também inspirado Jean Buridan, filósofo francês do século XIV. Independentemente das várias versões ou origens, a história que ouvi falava de um burro que, perante dois fardos de palha equidistantes e igualmente apetecíveis, acaba por morrer à fome por não conseguir decidir qual deles devia comer. Bem, aquilo fez-me sentido imediato! Não é que nos acontece o mesmo regularmente? Tantas e tantas vezes damos por nós sem conseguir escolher, ficando até totalmente paralisados e agitados. Acabamos por medir tanto as distâncias que perdemos o momento e as opções. Acima de tudo, perdemo-nos a nós próprios. Uma espécie de auto-sabotagem. E porquê?

 

Porque não é a razão que nos faz felizes, é a EMOÇÃO. A racionalidade serve apenas, e acima de tudo, para questões materiais. A emoção é a sabedoria de milhares de anos de evolução que habita o corpo de cada um de nós. O brilho dos nossos olhos, o calor do nosso corpo e a vitalidade que sentimos perante um caminho de vida, perante um local ou uma pessoa são tudo o que precisamos para saber que rumo escolher. Relembre agora alguns dos eventos mais importantes da sua vida. Repare quantos deles aconteceram porque, precisamente, correu riscos, porque saiu da sua zona de conforto e quis ir mais além. Experimente até fechar os olhos e focar-se no mais intenso deles, neste preciso momento... e repare como o seu corpo começa, a pouco e pouco, a responder e a fazê-lo sentir tão vivo! Ah pois, o seu corpo é sábio. Lembro-me do meu primeiro salto de paraquedas num evento que organizei de coaching. Olhar lá para baixo metia-me medo, muito medo. Era natural, nunca tinha feito tal coisa! Mas se ensaiasse o salto mais me iria paralisar, mais me sentiria incapaz e pequeno. E assim, mais dificuldades surgiriam na minha cabeça, consumindo-me nesse processo e impedindo toda a satisfação que o momento me podia dar. Mas a adrenalina era tanta que saltei determinadamente e para um dos mais excitantes momentos que vivi até hoje. Foi brutal!

 

Mas de onde vem a nossa capacidade e confiança para fazer opções? Da nossa educação, socialização e história de vida. Ora vejamos! Será que fomos cuidados e encorajados a validar e expressar as nossas emoções e necessidades desde pequenos? Será que nos fizeram sentir fortes e capazes ao longo dos anos? Será que nos fizeram sentir que o erro faz parte da aprendizagem e que o nosso valor não ficava posto em causa se falhássemos uma vez ou outra? Ou será que nos incutiram que a opinião dos outros sobre nós é muito importante, até mais do que a nossa própria? Será que fomos tão protegidos (fazendo-nos, com isso, sentir frágeis e/ou dependentes)  que não caímos vezes suficientes para aprender a andar cedo e bem? Será que nos fizeram sentir culpados de cada vez que tentámos ser autónomos e crescidos? Pois é, acredito que se possa rever em algumas destas opções. São apenas alguns exemplos do que decide a nossa capacidade de escolher. E, portanto, de viver!

 

Infelizmente, podemos não conhecer, acarinhar e viver as nossas necessidades e desejos. Podemos viver tão centrados nas dos outros que vivemos uma vida que julgamos feliz e plena. Até que algo acontece. Subitamente a vida como a conhecemos começa a perder o encanto. Falta-nos qualquer coisa mas (ainda) não sabemos o quê. Pensamos, analisamos e voltamos a analisar para a descobrir. Nada de novo: apenas estamos a repetir formas passadas e intelectualizadas de gerir o desconforto e a novidade! E nesse processo em que o medo é uma constante, ficamos como o burro de Buridan. Definhamos e ficamos frágeis e indecisos. E quanto mais frágeis nos sentimos, mais usamos a razão para “tentar” ter certezas da “melhor” decisão. Pura ilusão! É que os dias passam e sentimos uma parte “nova” de nós a irromper do nosso peito, já não a conseguimos esconder mais. Ela é feita da nossa essência, do nosso verdadeiro eu. Tem tanta emoção que vibra apaixonadamente por vida, por fusão, por plenitude. É, afinal, um grito de mudança. Talvez a vida que temos vivido não fosse realmente a nossa. Precisamos agora de mais e melhor. E mesmo que o receio do desconhecido nos possa levar a abafar essa voz, ela não se calará jamais. Porque se iniciou um processo irreversível e é agora uma questão de dias até que volte outra vez e com maior fervor. Voltará até ao dia em que a abrace definitivamente, reorientando a sua vida como ela tanto lhe pede.

 

E aí sim, você será verdadeiramente feliz!

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publicado às 17:38

Ser psicoterapeuta é...

por oficinadepsicologia, em 28.04.12

Autor: Luís Gonçalves

Psicólogo Clínico

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Luis Gonçalves

Sentir. Sentir muito. Às vezes até demasiado. Etimologicamente, é curar pela mente. É tentar fazer um caminho a dois, superando qualquer obstáculo. É conduzir e ser conduzido. É arregaçar as mangas e transformar o que impede no que ajuda. É caminhar num sentido e, de repente, fazer o inverso ou descobrir outro completamente novo. É não agredir quando se é agredido. É amar incondicionalmente. É ter tanto de forte como de frágil e viver bem com isso. É destruir para construir. É fazer eco do que o cliente sente sem se ter medo dos efeitos secundários. É fazer de espelho para que ele veja o que pensa, sente e faz. É saber ouvir e saber concertar. É abdicar da descrença para acreditar na luz. É partilhar as trevas e não fazer disso uma tragédia. É acreditar, como Pessoa, que tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

 

É aprender a cuidar de si próprio para melhor cuidar de quem nos procura. É sorrir ou chorar em segundos. É dar a mão. É fazer do consultório um espaço seguro, sagrado e protegido. É viver bem com o silêncio. É ser-se observador e, simultaneamente, participante. É, simplesmente, estar-se sem se estar de saída.

É aceitar um abraço de agradecimento ou fragilidade. É dar um abraço que salve uma vida ou simbolize mais um caso que termina. É ler, pesquisar mas também esquecer uma parte (e assim ser-se humano, unicamente pessoa). É viajar, explorar, conhecer, arriscar e cair. É tocar qualquer forma artística que nos enriqueça e aumente a nossa visão de vida. É estar longe do espaço terapêutico o tempo suficiente para recuperar o fôlego. É não ter medo da morte. É aceitá-la como a forma perfeita de dar brilho à vida.

 

É ter dúvidas. É ter fracassos. É pegar no pouco que sobrou e fazer disso um melhor profissional. É revisitar a vida pessoal e encontrar algo útil para quem está à nossa frente (ou para nós próprios). É abdicar de barreiras, máscaras ou referenciais teóricos. É descobrir a chave para quem procura a sua própria fechadura. É ser-se único, arrojado e genuíno. É não ter medo de se ter medo.

 

É assumir a responsabilidade de se ser um modelo, uma referência e uma fonte de afeto para tanta gente incrível (para muitos, a primeira que alguma vez tiveram). É saber pedir ajuda e compreender quem a pede. É chegar ao fim de mais um dia de trabalho e respirar fundo. É sentir no corpo e na alma o desgaste do que é ter-se dado e recebido tanto durante imenso tempo. É olhar pela janela e contemplar a beleza da lua. É ganhar balanço. É também sorrir porque amanhã é outro dia.

 

Ser-se psicoterapeuta é uma profissão que nos muda, nos marca e nos transforma (também). E foi uma parte desse brilho que hoje quis partilhar consigo!

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publicado às 10:23

O menino e o jardim mágico

por oficinadepsicologia, em 23.12.11

Autor: Luis Gonçalves

Psicólogo Clínico

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Luis Gonçalves

A época Natalícia é uma altura de emoções fortes, ninguém duvida. Sentimos alegria por estarmos com quem mais amamos. Sentimos tristeza se não os temos por perto. Voltamos atrás no tempo e relembramos quem um dia fomos, as pessoas que nos sorriram, as prendas que nos deram e os locais onde crescemos. Onde tudo era deliciosamente simples e, ao mesmo tempo, transcendente. Para dizer a verdade, vivemos tão ocupados na nossa vida presente que esquecemos as nossas raízes, onde tudo começou. Há dias em que sentimos a necessidade de lá voltar… ao nosso jardim mágico.

 

Era lá que um menino brincava sem fim. Onde árvores imponentes lhe davam sombra e escondiam aves que o deixavam estupefacto. Onde lagos cristalinos davam vida a peixes que o intrigavam ansiosamente. Havia também  águas sem fim onde se banhavam imponentes patos que passeavam todo o seu esplendor. Tudo servia para o menino se fascinar. Não lhe interessava o que vinha a seguir ou se se ia aleijar ou sujar, simplesmente tinha tanto prazer naquele momento que se esquecia que o sol se punha dali a pouco. Corria por caminhos de terra sem fim e tropeçava por vezes, na azáfama de um menino com ânsia de viver. A dor da queda fazia-o mais forte, mais crescido, mais confiante. As folhas caiam por entre céus intermináveis e dormiam sobre a terra húmida de vida. Apanhava também as castanhas que se desprendiam de castanheiros anciãos e ia dar aos seus pais com o orgulho de quem dá uma prenda tão valiosa. Esse menino jogava à bola acreditando que era uma estrela de futebol mundial. Bastava essa fé para marcar mais golos porque era assim que jogava o seu ídolo, não o podia desiludir. Corria sem fim enquanto sorria para os pais que o observavam calmamente de um banco vermelho de madeira intemporal. O menino mostrava-lhes os seus dotes e mesmo quando a finta não saía bem, tinha por perto o afeto dos cuidadores e as palavras de incentivo levantavam-no rapidamente da areia, que se colava nas calças tão docemente preparadas pela mãe. O cansaço era tanto que se deixava cair e rebolar na relva viva de esperança. Logo a seguir, o menino observava o seu pai a dar milho aos pombos e queria tanto ajudar. Aprender tudo com o mestre para ser como ele e, finalmente, ser “um homem”. Como era importante para aquele menino saber todos os detalhes da vida animal e vegetal. Era mesmo fascinante cuidar da Natureza e invadir os seus sentidos com todo o seu agradecimento. Por fim, era altura de mais uma corrida atrás do esférico, driblando as sombras da noite bela que chegava. Esse menino não conhecia limites, aquele jardim era à medida da sua imaginação incontrolável. Outros meninos e seus pais brincavam com aquela criança ávida de vida. A sua energia era contagiante e o seu sorriso um hino à humanidade. O corpo já pedia descanso, tinha sido uma longa tarde. Até que os pais o chamavam, chegara a noite de Natal e o lar acolhedor já os esperava… era tempo de sair do jardim mágico, até ao próximo Domingo.

 

Naqueles anos, tínhamos ideais e ídolos. Acreditávamos no Amor, na Justiça e na Verdade. Sonhávamos em salvar o mundo, sorrindo sem hesitar. Todos nós fomos crianças e se a vida nos parecer uma grande dúvida, talvez precisemos de voltar atrás no tempo. É que éramos tão felizes como agora podemos ser.

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publicado às 10:09

A união faz a força

por oficinadepsicologia, em 05.12.11

Autor: Luís Gonçalves

Psicólogo Clínico

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Luis Gonçalves

Passaram alguns dias desde a épica vitória da seleção portuguesa de futebol e que foi um grande momento de orgulho nacional. Foi incrível testemunhar ao vivo um momento assim e onde senti o bom que é ser português. É um pouco disso que lhe trago hoje.

 

Goste-se ou não de futebol, era impossível ficar-se indiferente à atmosfera que lá se viveu. Famílias inteiras de várias idades e culturas diferentes vestidas com as cores nacionais a sofrer pela seleção, como poucas vezes vi num estádio. As alegrias, as dúvidas e as tristezas vividas com grande intensidade por todos, sem distinção. Arrepiante foi mesmo o inspirador Hino de Portugal ser cantado três vezes desde que entrei até que saí do recinto. Desconhecidos, amigos, companheiros, pais, filhos e avós a uma só voz a celebrar o Grande povo Português. Transcendente!

 

Numa altura tão cinzenta como a que vivemos, assistir e participar nesta explosão patriótica foi, para mim, o momento alto da semana. O português ganha um novo alento nos momentos de dificuldade, une-se, renasce, dá as mãos e vai em frente. E se pensarmos que temos sido alvo de medidas duríssimas de austeridade, que temos uma taxa de desemprego enorme, que vivemos numa sociedade em perigo de rutura social e por aí adiante…é incrível o modo como estamos a lidar com tudo isto. Se olharmos para outros países, vemos que a contestação social estrangeira tem tido momentos de grande agressividade, instalando-se até o caos e a confusão. E perdoem-me aqueles que acham o povo português um povo de brandos costumes. A nossa história explica porque temos tão baixa auto-estima nacional mas uma coisa é certa: somos resistentes, persistimos e acreditamos que depois da tempestade vem a bonança.

 

É que me revolta ver muitas das notícias do dia e reparar que (ainda) existem tantos Velhos do Restelo em Portugal. Mentes que parecem apenas ver o lado negativo de tudo, rejeitando o que de bom fazemos e proliferando um clima de medo, angústia e desespero. Todas estas mensagens fazem parte do problema, nunca da solução. Há que ter consciência do momento difícil mas, acima de tudo, focar a atenção em formas de melhorar a nossa condição de vida. É que não é por acaso que uma das primeiras palavras que as crianças portuguesas aprendem a dizer é o “não”…

 

Acreditar que a nossa vida vai melhorar exige um grande esforço. Há dias em que, simplesmente, não conseguimos mais. Se num deles sentir que está a perder a esperança, lembre-se que não está só... e procure mais portugueses valentes como você: é que a união faz mesmo a força!

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publicado às 11:00

Motivação intrínseca

por oficinadepsicologia, em 31.10.11

Autor: Luís Gonçalves

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Motivação Intrínseca: o que nos motiva a fazer algo quando não temos de fazer nada!

 

Luís Gonçalves

Prazer. Essa palavra ligada a tudo aquilo que nos faz sentir tão bem. Quando está presente, perdemos a noção do tempo e até do espaço. O nosso organismo agradece imenso, vicia-se até nele. Liberta-se dopamina, um neurotransmissor dos mais importantes, e que vai afetar o hipotálamo, uma glândula endócrina das mais importantes. Como consequência, o centro da emoção, a preciosa amígdala, causa bem-estar e sentimentos de alegria, vitalidade e plenitude. E realmente, todo este processo é imensamente simples. Qualquer atividade que nos leva a fazê-la apenas pela satisfação que a sua realização nos dá mostra o quanto a motivação “interior” pode ser poderosa.

 

Quando passamos a vida centrados nas recompensas exteriores (como encontrar o ordenado, a família, o parceiro ou até o país “certos”), dependemos imenso deles para atingir prazer com a vida e criamos uma falsa ilusão que nos afasta da solução e contribui para o problema. É como se as necessidades que temos dentro de nós ficassem presas com uma corrente das fortes à possibilidade de encontrarem resposta no mundo que nos rodeia... Este funcionamento leva a doses imensas de frustração. É que o exterior é muito difícil de mudar (em alguns casos, impossível) e de ter controlo sobre. O nível de insatisfação aumenta de dia para dia e que nos faz esperar e cobrar mais do mundo exterior. As expectativas tornam-se gigantescas, sem hipótese de satisfação pelo mundo. Este é um processo que acontece muito na minha prática clínica: o início do processo estar ligado a eventos exteriores que tiveram e têm impacto negativo nos clientes. Penso que este é um erro em que caiem muitos profissionais de saúde mental, incluindo eu próprio: ceder à sedução de focar a terapia nos eventos destrutivos da vida lá fora. De facto, há momentos na vida em que tudo nos acontece. Mas o que faz a diferença é trabalhar o impacto que eles têm nas nossas emoções! E é precisamente por isso que o primeiro objetivo da psicoterapia é encontrar e fomentar pontos que o cliente pretende trabalhar, melhorar e mudar em SI PRÓPRIO.

 

Este trabalho é o foco nas necessidades do cliente (reparando-as ou encontrando-as) e a definição de caminhos e estratégias para as preencher. Pense no quanto precisa, por exemplo, de pessoas importantes em termos sociais e afetivos; de sentir que tem um perfil profissional e académico que faz de si alguém único e competente; de sentir novidade e desafio na sua vida e equilibrar os momentos de maior estagnação e monotonia; de ajudar, contribuir e partilhar a vida de pessoas e projetos significativos ou de sentir que a sua vida está a evoluir, que tem um rumo suportado por objetivos ambiciosos e realistas. O segredo está todo aqui, no que precisamos. É o contacto íntimo com este mundo interno que nos vai ver a vida com outros olhos e, curiosamente, aumentar a probabilidade de termos os tais motivadores extrínsecos que tanto queríamos no início. É que a motivação intrínseca contribui para a subida da nossa auto-estima, para a melhoria do nosso desempenho profissional e relacional. O prazer leva-nos a persistir e aperfeiçoar o que sabemos, como fazemos e quem somos. Os eventos negativos lá fora poderão ser os mesmos mas o seu significado muda para nós: encontramos neles recursos que estavam escondidos ou simplesmente, deixamos de lhes dar importância. As responsabilidades dão estrutura à nossa vida mas é a satisfação que nos ilumina o caminho. E de cada vez que conseguimos atingir um objetivo, é proibido o esquecimento do auto-reforço: dê momentos valiosos a si próprio sempre que isso acontece, faça-se sentir bem e com valor. É que o tem mesmo!

 

Espero que tenha tido prazer com estas palavras, ponha-as então em prática e verá como o mundo exterior o trata bem. Depois diga-me como correu! que nos motiva a fazer algo quando não temos de fazer nada!

 

 

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publicado às 09:38

Sabotagem de um povo: a história do caranguejo português

por oficinadepsicologia, em 25.09.11

Autor: Luis Gonçalves

Psicólogo Clínico

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Luis Gonçalves

Nestes anos que levo como profissional, tenho encontrado tantos e tantos portugueses capazes que, simplesmente, não conseguem ter um emprego aceitável. É que, por mais que se esforcem, parece que todas as portas se lhes fecham sem lhes perguntar o nome. Os exemplos são tantos que ficamos sem esperança de algum dia conseguir ter uma vida tranquila. Muitos deles acabam por sair de cá e ir conquistar outros países, com mérito amplamente conhecido. Mas Portugal ainda tem heróis que a história irá um dia lembrar e contar. Pessoas que lutam até ao limite das suas forças para conseguir uma oportunidade na vida. Pessoas que me inspiram todos os dias com a sua perseverança. Com a sua fé.

Existe uma história que conheci há uns anos atrás e que me fez tanto sentido que decidi vir partilhar consigo hoje. Tanto pela sua aplicação na vida de todos nós como pela dose de humor que contém, ingrediente essencial para lidar com momentos de crise.

 

Esta pequena história fala de um pescador português que, quando ia à pesca, nunca tapava o balde onde colocava os caranguejos que apanhava. As pessoas que o conheciam achavam aquela situação um tremendo mistério. Até ao dia em que alguém lhe perguntou se ele não se preocupava com a possibilidade dos caranguejos apanhados fugirem, já que tinha sempre o balde destapado. O pescador respondeu prontamente e acabou por revelar o seu segredo. É que ele apanhava caranguejo português, uma espécie destes crustáceos que tem uma característica peculiar: é que quando um deles começava a tentar trepar o balde, os outros iam logo atrás dele e puxavam-no para baixo!

 

 

 

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publicado às 21:03


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