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Autora: Susanne Marie França

 

Psicóloga Clínica

 

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Susanne França

Os resultados de um estudo efectuado na Mayo Clinic nos Estados Unidos, apontam para uma associação entre a vivência de experiências traumáticas na infância e na vida adulta e o desenvolvimento da Síndrome do Cólon Irritável (SCI).

 

Na realidade, há muito que se acredita que o stresse e ansiedade estão associados aos sintomas característicos desta síndrome. E parte deste stresse e ansiedade poderá provir de experiencias traumáticas, uma vez que cerca de 50% das pessoas diagnosticadas com SCI reportam terem sido vítimas de abuso sexual na infância.

 

Todavia, um dos factores cruciais neste estudo é a chamada de atenção para o facto de existirem outras formas de trauma associadas à SCI que no passado têm sido provavelmente ignoradas. Referimo-nos a experiências como a morte de um ente querido, catástrofes naturais, divórcio, acidentes, etc.

 

É importante salientar que os resultados deste estudo apontam para o facto de que pessoas com SCI reportam experiências presentes e/ou passadas de trauma quando comparadas com pessoas sem SCI. Acredita-se que situações de trauma poderão estar na origem de um desequilíbrio na relação entre a mente e o intestino, nomeadamente no controlo dos músculos e nervos intestinais.

 

Existem diversas abordagens terapêuticas que podem ajudar no processamento de experiências traumáticas e no controlo dos sintomas da SCI. A Hipnoterapia Clínica tem excelentes resultados no controlo e atenuamento da sintomatologia associada à SCI, e o EMDR é a terapia de eleição para o processamento de experiencias traumáticas.

 

Uma abordagem integrativa e focada em objectivos bem delineados e realistas pode contribuir para facultar uma melhor qualidade de vida às pessoas com SCI, cuja sintomatologia pode ser de tal modo debilitante ao ponto de condicionar o funcionamento quotidiano e o bem-estar emocional e físico.

 

 

 

Fonte: American College of Gastroenterology (2011, October 31). Psychological traumas experienced over lifetime linked to adult irritable bowel syndrome. ScienceDaily.

 

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publicado às 10:23

Autora: Susanne Marie França

 

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Os resultados de um estudo efectuado na Mayo Clinic nos Estados Unidos, apontam para uma associação entre a vivência de experiências traumáticas na infância e na vida adulta e o desenvolvimento da Síndrome do Cólon Irritável (SCI).

 

Na realidade, há muito que se acredita que o stresse e ansiedade estão associados aos sintomas característicos desta síndrome. E parte deste stresse e ansiedade poderá provir de experiencias traumáticas, uma vez que cerca de 50% das pessoas diagnosticadas com SCI reportam terem sido vítimas de abuso sexual na infância.

 

Todavia, um dos factores cruciais neste estudo é a chamada de atenção para o facto de existirem outras formas de trauma associadas à SCI que no passado têm sido provavelmente ignoradas. Referimo-nos a experiências como a morte de um ente querido, catástrofes naturais, divórcio, acidentes, etc.

 

É importante salientar que os resultados deste estudo apontam para o facto de que pessoas com SCI reportam experiências presentes e/ou passadas de trauma quando comparadas com pessoas sem SCI. Acredita-se que situações de trauma poderão estar na origem de um desequilíbrio na relação entre a mente e o intestino, nomeadamente no controlo dos músculos e nervos intestinais.

 

Existem diversas abordagens terapêuticas que podem ajudar no processamento de experiências traumáticas e no controlo dos sintomas da SCI. A Hipnoterapia Clínica tem excelentes resultados no controlo e atenuamento da sintomatologia associada à SCI, e o EMDR é a terapia de eleição para o processamento de experiencias traumáticas.

 

Uma abordagem integrativa e focada em objectivos bem delineados e realistas pode contribuir para facultar uma melhor qualidade de vida às pessoas com SCI, cuja sintomatologia pode ser de tal modo debilitante ao ponto de condicionar o funcionamento quotidiano e o bem-estar emocional e físico.

 

 

 

Fonte: American College of Gastroenterology (2011, October 31). Psychological traumas experienced over lifetime linked to adult irritable bowel syndrome. ScienceDaily.

 

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publicado às 11:23

Gravidez interrompida

por oficinadepsicologia, em 23.09.11

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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António Norton

Gostaria de propor reflectir sobre que consequências psicológicas decorrem da situação em que uma mulher, que sofreu um aborto espontâneo, ao voltar a engravidar resolve esconder o seu estado biológico.

 

Resolvi escolher esta questão, uma vez que é um tema comum dentro do universo psicológico de uma mulher que sofreu um aborto e voltou a engravidar.

 

Uma gravidez interrompida involuntariamente traz uma herança psicológica pesada. O corpo deixa de ser cem por cento confiável, passa a ser uma “casa” que gera insegurança, desconforto e desconfiança. Uma mulher que sofreu um aborto espontâneo sente que o corpo a traiu, sente quase como uma incapacidade de identificação com o seu corpo. É frequente surgirem pensamentos como: “ Como foi possível o meu corpo fazer-me algo assim?” “Eu estava tão feliz, como foi possível?”.

 

A incredulidade e a desilusão são motores psicológicos que geram na futura gravidez insegurança e desconforto: “Eu não confio no meu corpo”. É comum surgir a hipervigilância com todos os sinais que o corpo apresenta e a gravidez deixa de ser vivida de forma harmoniosa para passar a ser habitada por estados de tensão e ansiedade.

É comum surgirem pensamentos como “E se corre mal?” “E se o meu corpo volta a rejeitar o meu bébé?”.

A dúvida passa a habitar e não abandona a grávida, mantendo-se até ao nascimento.

As ecografias positivas que garantem a saúde do feto dão alguma segurança, mas a dúvida continua sempre a corroer interiormente e a ter o seu efeito na criação de tensão.

 

 

 

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publicado às 09:46

A mão aberta e o punho fechado

por oficinadepsicologia, em 03.09.11

 Excerto de “A mão aberta e o punho fechado”, de Francisco de Soure, in “Casos&Casos”, 1ª edição da revista de casos clínicos da Oficina de Psicologia, à venda em http://oficinadepsicologia.com/loja/shop/casos-casos/

 

Francisco de Soure

“(…)O primeiro laço que estabelecemos é o primeiro grande momento de aprendizagem. A ligação que se estabelece entre mãe e bebé inicia o bebé na sua aprendizagem a respeito do que são as interacções humanas, o que podemos esperar das pessoas e do seu papel na satisfação das nossas necessidades. A este laço os autores chamam vinculação. Quando a vinculação se estabelece de forma segura, a mãe está atenta aos pedidos do bebé, às suas necessidades, e dá-lhes respostas adequadas. Uma mãe que estabelece com o bebé uma vinculação segura reage de forma adequada às exigências do bebé, sabendo quando as satisfazer, quando respeitar os limites do bebé, e como ajudá-lo a aprender a acalmar-se dando o exemplo da sua própria calma e segurança. Quando o bebé tem um temperamento fácil, e a mãe se sente segura e tranquila no seu papel, este processo decorre de forma natural e fluida. Quando isto acontece, o bebé começa a aprender como e quando é adequado manifestar as suas necessidades, aprende a acalmar-se face ao seu próprio desconforto, aprende de maneira quase instintiva que quando não se conseguir acalmar a si mesmo poderá sempre contar com a mãe. No entanto, nem sempre isto acontece. Por vezes os bebés não nascem com um temperamento fácil, e também muitas vezes as mães podem sentir-se atemorizadas pelo seu papel, estar excessivamente preocupadas com a criança, ou demasiado atentas às suas próprias necessidades e medos. Quando isto acontece, é possível que a vinculação se estabeleça de uma forma insegura. Laços de vinculação inseguros caracterizar-se-ão por comportamentos de ausência de resposta adequada por parte da mãe: ou ficarem demasiado ansiosas quando o bebé chora, ou ignorá-lo, ou mesmo perder a calma e tornar-se agressivas (de forma recorrente, não apenas episódica!); podem ignorar a sua vontade de estar sós ou em paz e invadir os seus limites; podem ficar elas próprias demasiado aflitas com a aflição do bebé e pensarem apenas na sua imagem de si mesmas enquanto mãe, deixando de estar de facto atentas a ele e ao que precisa naquele momento. Quando se verifica um cenário destes, a aprendizagem do bebé é a de que as suas figuras cuidadoras poderão ser invasivas, ausentes ou hostis ao cuidar de si. Não lhe permitindo gerar expectativas consistentes a respeito do cuidado que poderá receber, ou expectativas de cuidados consistentemente negligentes ou desadequados. Claro está, nesta fase da vida todas estas aprendizagens estão muito aquém de ideias claras como aquelas que pensamos e geramos em adultos. Tudo isto antecede em muito as palavras, e expressa-se em termos de activação ao nível do nosso cérebro. Quando o bebé é sistematicamente ignorado e só recebe cuidado quando a sua expressão de aflição atinge níveis muito elevados, por exemplo, o cérebro poderá aprender que só activando em excesso assegurará a satisfação das suas necessidades e se reporá o equilíbrio interno.

 

À medida que crescemos, esta aprendizagem torna-se mais sofisticada. Ainda antes de sabermos falar, começamos a aprender através de mecanismos de recompensa muito simples: se fazemos A e recebemos B, sempre que quisermos B fazemos A. De igual modo, se sempre que C incomodar e nos retirarem o incómodo por fazermos D, faremos D sempre que sentirmos o incómodo de C. De modo inverso, se formos punidos sempre que fizermos E, pois claro, a nossa tendência será para evitar fazer E. Através destes mecanismos muito simples vamos acrescentando informação a respeito daquilo que podemos esperar do mundo em que vivemos, e dos outros que nos rodeiam. Se, sempre que uma criança chorar, lhe derem um doce, é certo que sabemos o que fará quando quiser um doce... De igual forma, estes mecanismos podem servir para aprendizagens distorcidas e com resultados prejudiciais, como quando uma criança aprende que se chorar por se magoar será castigada em vez de acarinhada.

 

Estas aprendizagens passam-se para além da dimensão do pensamento. Processam-se, também, ao nível das emoções e da satisfação das nossas necessidades mais essenciais ao nível da emoção: de protecção, de autonomia, de prazer, etc. Ao longo da vida, a informação organiza-se na nossa memória através de processos de semelhança e diferença, em que toda a informação se encontra ligada de uma maneira ou outra. À forma como esta informação se organiza em memória muitos autores chamam de esquemas. Estes esquemas são como que agregados de informação: contêm nomes, imagens mentais, associações entre as unidades de informação, assim como expectativas, tendências de comportamento e as correspondentes emocionais da informação que contêm. Quando nos deparamos com qualquer objecto, pessoa ou situação, o cérebro encarrega-se de ir buscar toda a informação a respeito dela ou o que mais semelhante conheça, e torna-a disponível para nós, tal e qual um computador em que corremos uma pesquisa. Estes esquemas são extremamente úteis! Permitem-nos tomar decisões sem desperdiçar tempo a analisar cada aspecto da situação: imagine o que seria ter que reflectir aprofundadamente cada vez que tivesse que dar um aperto de mão ou comprar um pacote de leite! Da mesma forma, são estes esquemas que nos ajudam a navegar e descodificar o complexo labirinto das nossas interacções sociais. Mais, permitem-nos seleccionar entre o nosso repertório emocional que expressão é adequada no momento. As emoções são muito mais que coisas que apenas sentimos. As nossas emoções informam-nos a respeito do comportamento que devemos exibir, mesmo a um nível biológico.

(…)

Quando as aprendizagens que fazemos são adequadas, os esquemas contêm informação realista e útil. Quando, pelo contrário, as aprendizagens que fazemos são disfuncionais, nomeadamente quando crescemos em contextos violentos ou simplesmente maltratantes, podemos desenvolver expectativas forte e irrealisticamente negativas acerca dos outros e de nós próprios. Da mesma forma, aprendemos a expressar emoção de forma desadequada, com consequências adversas. Por exemplo, se aprendermos que não podemos ou devemos expressar tristeza, é frequente que manifestemos zanga em seu lugar. Quando isso acontece, não só não recebemos o conforto de que necessitamos, como corremos o risco de ser agredidos em resposta. Dessa forma, não só não vemos a nossa dor aligeirada, como a vemos ainda agravada. Face a tudo isto, há que ter em conta que a nossa memória é um “órgão” extremamente fluido. Perante uma qualquer situação, o nosso cérebro regista essa informação nas suas componentes cognitivas e emocionais, e integra-a de forma harmoniosa no resto da informação, fazendo as devidas ligações e associações. No entanto, até este processo pode sofrer perturbações. Quando a situação em que nos encontramos é uma situação extremamente violenta ou carregada de medo ou dor, ou quando nos encontramos repetidamente em situações de mau trato, esta informação pode sofrer erros no seu processamento. É possível que se criem “nódulos” de informação carregada negativamente. No futuro, qualquer informação negativa que partilhe características com estes nódulos ser-lhes-á associada, aumentando a sua força para atrair mais informação. Da mesma forma, os estímulos no mundo real que se assemelhem à informação contida no nódulo activarão de imediato este nódulo e levarão a acções que se lhe adequem.

(…)

Estes nódulos configuram algo que se tornou um termo corriqueiro: Trauma.

Seja através de esquemas que contêm expectativas fortemente negativas e irrealistas face ao mundo, os outros e nós próprios, seja através de trauma, a violência na infância determina muito daquele que será o nosso comportamento em adultos. A forma como estas estruturas se consolidam e nos afectam na idade adulta será algo que a história do Rui nos permitirá compreender melhor e ver na prática.

(…)”

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publicado às 11:33

Autora: Inês Afonso Marques

Psicóloga Clínica

 

Inês Afonso Marques

O impacto que as experiências de trauma na infância podem ter na saúde mental do adulto é algo relativamente bem estudado e, globalmente, bem compreendido. Menos óbvio é o impacto que essas experiências precoces de trauma, como o abuso, a negligência, o alcoolismo dos pais, ou os padrões familiares disfuncionais, podem ter a saúde física do adulto.

 

Um estudo epidemiológico longitudinal, estudo ACE (Adverse Childhood Experiences) tem demonstrado a correlação surpreendente entre os maus-tratos na infância e as doenças na idade adulta e mesmo a morte prematura. A história do nascimento deste estudo epidemiológico é curiosa, tendo o mote para o seu surgimento ocorrido, quase por “acidente”, na sequência de um programa de controlo de peso, cujos resultados nalgumas mulheres suscitaram diversas questões.

 

Jan revelava óptimos resultados, tendo perdido uma enorme percentagem de peso ao longo de um ano de programa. De repente, algo surpreendeu os investigadores. No espaço de três semanas, Jan engordou cerca de 25% do peso que tinha perdido até àquele momento. Como seria possível encontrar, pela manhã, a cozinha completamente desarrumada, com pratos e talheres sujos, frascos e caixas de comida abertos? Não havendo explicação fisiológica, e morando ela sozinha, o que teria provocado estes ataques nocturnos de devoração, precisamente naquele momento de uma tão grande conquista na sua vida?

 

 

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publicado às 09:50

O trauma em números

por oficinadepsicologia, em 22.04.11

Autora: Madalena Lobo

Psicóloga Clínica

 

 

Madalena Lobo

O último relatório de Segurança Interna, referente a 2010, regista um nº assustador de 1.133 crimes por dia (47 por hora…). Destes, 23% são contra pessoas. Se adicionarmos os números de sinistralidade rodoviária, cerca de 100 por dia, e assumirmos que 30% das pessoas directamente afectadas, por uma ou outra questão, terão sequelas psico-traumáticas, ou seja, que exibirão um qualquer impacto no seu bem-estar e qualidade de vida, no decorrer da vivência de um destes incidentes, chegamos a um nº que representa 0.4% da população portuguesa a padecer de trauma anualmente…

 

 

Números tão assustadores quanto o facto de ignorarem todos os outros factores potenciais frequentes de trauma: abuso físico e sexual não reportado, trauma médico e hospitalar, luto traumático, todas as situações que “poderiam ter sido mas não foram”, despedimento, o que se estima como um elevado volume de violência doméstica não reportada, humilhação pública, interrupção de gravidez, insucesso escolar ou profissional, trauma por ter testemunhado o trauma alheio… É impossível estimar a percentagem da população que anualmente – diariamente! – fica afectada, com sérios impactos na sua qualidade de vida, por um qualquer acontecimento que o organismo registou como traumático. Talvez 5%, 10%?

 

Só com base em psico-traumatologia, para já não falar de todas as restantes perturbações da categoria da ansiedade e do humor (depressão, bipolaridade), é fácil perceber a elevada necessidade de boas infra-estruturas em saúde mental. E no entanto, são praticamente inexistentes, de uma forma articulada, acessível e de qualidade, ao nível público, o que cria um vazio em Portugal ao nível das respostas efectivas de tratamento acessíveis a toda a população.

 

 

 

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publicado às 14:13

Bloqueios emocionais

por oficinadepsicologia, em 22.08.10

E-mail recebido

 

Bom dia,

Descobri o vosso site, e achei-o muito interessante. Tenho passado
algum tempo a lê-lo, e resolvi escrever.
Há já algum tempo que procuro muitas respostas para questões que
pairam nos meus pensamentos, e vou expor a minha situação.

Tenho 27 anos, sou empregado de escritório, tenho a minha vida
profissional estabilizada. Frequento o Curso de Contabilidade no
Ensino Superior. Tenho uma família fantástica, e um grupo de amigos
formidável. Em termos materiais, não me posso queixar. Tenho um carro
descapotável que sempre quis ter, não tenho nenhum encargo, posso
comprar uma peça de roupa cara se assim o desejar, ir passar um fim de
semana a qualquer sítio sem muitas preocupações, posso dizer que faço
o que quer, porque tenho rendimentos que o permitem.
À partida tenho tudo para ser e estar feliz mas não é isso que acontece.
Sinto um vazio enorme, como se faltasse algo que me preencha.
Todos os dias paro um pouco para pensar, e no fundo sei as respostas
para o que me vai na alma, mas prefiro não acreditar.
Tudo começou quando tinha 17 anos. Vivi um grande amor, algo que nunca
mais voltei a sentir. Não vale a pena escrever muito sobre isso, basta
dizer que era um amor enorme, que dava a vida por essa pessoa. Posso
dizer apenas que durante aquele tempo sentia-me a pessoa mais feliz do
mundo. Bastava a sua companhia para esquecer qualquer problema que
tivesse. Foi certamente a pessoa em quem mais confiei até hoje, para a
qual nunca tive segredos.
No entanto as coisas não deram certo, foi-se deteriorando em parte por
influências externas, até tudo terminar de vez.
Apesar de todo o sofrimento causado, nunca lutei para recuperar o amor
dessa pessoa, porque sempre lhe tinha dito que a amava tanto, que
bastava dizer-me que não era feliz comigo, para que eu me afastasse
por completo.
E foi isso que fiz. Passaram 8 anos desde o final, e durante este
tempo vi-a apenas 2 ou 3 vezes, mas de longe, e nunca mantivemos
qualquer tipo de contacto.
Durante este tempo sinto que bati no fundo. O meu mundo desabou por
completo, tudo aquilo por que lutei, tudo aquilo em que acreditava
deixou de fazer sentido. Passei meses em que tive dificuldades em
dormir. Dormia 4 ou 5 horas por noite, passava muito tempo sentado a
ver o mar, passava dias e dias em que só falava com outras pessoas
devido ao meu trabalho, e fora isso isolava-me totalmente. Só tinha
vontade de estar sozinho, e de ir para qualquer sítio o mais longe
possível.
Toda esta situação fez com que acentuasse os meus defeitos. tornei-me
numa pessoa fria, calculista, distante, que não demonstra o que sente
nem o que lhe vai na alma. As pessoas que me conhecem desde essa
altura dizem que sou estranho, sinistro até, porque sempre olham para
mim não sabem se estou feliz ou não. Como se não tivesse sentimentos,
e como se dissesse só o que quero que saibam sobre mim. Dizem que
tenho ar de quem esconde muita coisa...
No fundo sei que é verdade. Desde o final dessa relação nunca mais
confiei em ninguém, nunca mais me abri com ninguém e só 1 ou 2 pessoas
sabem de tudo o que se passou. Durante estes anos já tive uma relação
que pensei que me iria fazer esquecer tudo, mas não. Apenas me mostrou
a enormidade do amor que vivi, e provou que dificilmente voltarei a
confiar em alguém da mesma forma que antes, que apesar de manter as
qualidades que tenho como pessoa, os defeitos acentuaram-se muito mais
do que eu pensava.
Hoje em dia, por exemplo, não faço nada com motivação. Vou para o
trabalho porque sim, vou para a faculdade porque sim, e tudo o mais
também. Só obtenho algum prazer quando estou com os amigos, mas muitas
são as vezes em que dou uma desculpa, apenas porque quero estar
sozinho.
Para cúmulo de tudo, a única pessoa que nos últimos tempos me chamou a
atenção e me cativou, é uma pessoa com quem não tenho qualquer
contacto, que vejo apenas durante a hora de almoço, e quando parei
para pensar qual a razão do meu interesse (achar uma mulher lindíssima
não é por si só razão para despertar o meu interesse), cheguei à
conclusão que tem alguns aspectos físicos que se assemelham à pessoa
por quem me apaixonei à 10 anos atrás ( cabelo, tom de pele, as maçãs
do rosto).
Não é fácil ler um artigo ou um texto sobre Depressão, e chegar à
conclusão que tenho a maioria dos sintomas, mas ao mesmo tempo penso
que não deve ser possível alguém viver 8 anos com uma depressão e
lutar contra ela sozinho e sem ter a certeza que a tem. Às vezes
prefiro pensar que sou louco, ou que apenas tenho os pensamentos
desarrumados no meu cérebro, porque sei que não é normal ser ou pensar
assim....
Apenas sei que não tenho motivação para nada, que todos os dias penso
no meu passado, mas nunca no meu futuro, e que se pudesse, fugia para
o outro lado do mundo, para onde ninguém me conhecesse, e onde ninguém
me pudesse encontrar.
Peço desculpa pela extensão do mail, mas seria importante saber a
vossa opinião sobre o que se passa comigo, Gostava de ter uma luz...

Obrigado pela vossa atenção

 

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publicado às 11:48

Histórias que deixam marcas

por oficinadepsicologia, em 15.05.10

Autor: Francisco de Soure

Psicólogo Clínico

 

“Hoje, a manhã começou bem… Com gritos e insultos do meu chefe mal pus o pé no gabinete dele. De incompetente passei a idiota e mentecapta. Tudo por causa de uma insignificância! À medida que ele debitava críticas do alto da sua sobranceria e superioridade, como se eu sofresse de alguma debilidade mental, crescia uma misturada de sensações dentro de mim. O meu estômago revirava, o meu peito apertava-se, a respiração ficava difícil e a garganta palpitava, abrindo e fechando ao ritmo do meu coração acelerado. O ardor nos meus olhos deixava-me numa luta contra as lágrimas. Se de raiva ou vergonha, se de medo ou vergonha, nem sei dizer. Dei por mim a ver-me outra vez uma miúda de 7 anos, a ser insultada sem piedade, de punhos cerrados, a morder o lábio e engolir em seco. Ainda hoje me custa aceitar que, de cada vez que sou assim agredida pelo meu chefe, torno a ver nele o meu pai. Cada farpa que se solta da boca dele crava-se em feridas que parece ainda ontem terem começado a cicatrizar, e dou por mim confusa e chocada. Porque é que não consigo ultrapassar estas coisas? Porque é que agora, uma mulher adulta, continuo a não conseguir controlar estes sentimentos?”

 

 

 

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publicado às 19:32

O acidente

por oficinadepsicologia, em 15.01.10

Autor: Nuno Mendes Duarte

Psicólogo Clínico

 

 

A valeta doutor. Eu lembro-me da valeta. Como é que posso falar do que não me quero lembrar. Posso acender este cigarro? Importa-se, doutor? Claro que não se importa… As pessoas não se importam de aturar quem sofre. Sim, porque eu sei que me está a aturar. No fundo, que é que quer de mim, ah claro, eu é que vim ter consigo. Engana-se. Eu não vim ter consigo. Eu estou aqui. Mas não vim ter consigo. Porque eu não consigo estar com ninguém agora… sou uma amálgama de destroços de carro embutidos em mim. Oiço berros de vidros estilhaçados e gemidos de ferro torcido que surgem do vento. A valeta. A valeta era uma poça de sangue. Cor de rubi, escarlate, sangue vivo que se esvai de um corpo que ainda corre para apanhar a vida, que já começou a fugir pela ladeira abaixo. Não sabe que isto é uma ladeira desde que nascemos. É sempre a descer e acaba a qualquer instante. Se fecho os olhos é isto que está cá. Uma valeta em tons de escarlate com cheiro a morte. Eu não me quero lembrar, mas tenho um filme a correr no limite do meu olhar. Um filme com ligação directa ao peito…

Imagine alguém sentado sobre o seu peito doutor, a fazer força. Agora experimente respirar quando o horror lhe sopra ao ouvido. O ar não entra, e há um choro sufocado que aperta ainda mais. Que vida é esta de sobressalto e tremuras? Eu não consigo pensar em entrar num carro. São varas verdes, trémulas e gelatinosas que me enchem o lugar das pernas. E o horror do sangue na valeta que não me larga a pele… não lhe cheira aqui a sangue, doutor?

 

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publicado às 08:41


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